sábado, 14 de fevereiro de 2026

BRAZIL, 6202



Como estará nosso Brasil daqui a alguns séculos?

Nem imagino!

Mas a literatura me permite ir para o ano de 6202 e ver como andam as coisas por lá. 

Parece-me que há muitos problemas, que a liberdade é algo escasso e que as raposas tomaram conta do galinheiro. 
Dizem que haverá pleno controle do Estado por mãos que se assemelham a um Leviatã acéfalo e sem pudor. 

Foi passeando por lá que encontrei esse poema, possivelmente escrito por um neto do bisneto do trineto do meu tetraneto que, por pura coincidência, herdou meu nome.

Trouxe o poema para você ler e tirar suas conclusões.

Ainda bem que hoje nosso Brasil é um país pleno de liberdade e livre da corrupção 

BRAZIL, 6202
José Neres

Tentam a lata de lixo tampar,
Fingindo não existir podridão 
Tentam toda a verdade sufocar
Nas ondas pútridas da corrupção.

Master assalto tentam abafar,
Na grana de idosos passam a mão…
Imersos em silêncio basilar
Comemoram com orgia na mansão.

Quando alguém ousa a lata destampar,
Vira vítima de perseguição 
E, para na cadeia não parar,

Tem que, de joelhos, pedir perdão 
A um ser supremo que irá julgar
Se você pode lamentar ou não.

10 comentários:

  1. Preocupa-me muito o futuro de nosso país infelizmente mergulhado no vírus da corrupção que parece ainda não ter encontrado a vacina, ou tratamento que possa curar. Estou cansada de ouvir a velha história que Brasil é país do futuro. Enquanto isso o presente fica sacrificado mediante uma promessa que parece nunca ter fim. Joizacawpy

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    1. Minha querida, a corrupção cria anticorpos poderosíssimos que impedem a ação de qualquer vacina. E o pior, é altamente contagiosa!
      Mas continuemos confiantes!

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  2. O texto é profundamente um retrato do presente com expectativas de um futuro cada vez pior. Com realidade que está aí, não se pode nutrir nenhum tipo de otimismo. Parabéns pelo texto. (M. J. Corrêa)

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    1. Um dia desses ouvir alguém defender a ideia de que não existe corrupção em certo poder. Que tudo é invenção!

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  3. Muito criativa a ideia, pelo ano invertido, passar a ideia do futuro (uma viagem poética), a partir do que pensa do presente. Uma "ficção documentada".
    Daqui pra lá, pior nao pode ficar. Ou não.
    Paguemos pra ver.
    L. Angel

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    1. Obrigado, caro confrade, esperemos que não piore mesmo. Abraços!

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  4. Muito bom! Neres.
    A corrupção é uma chaga antiga. Está na Bíblia, no exemplo de Caim, que se revoltou contra o justo. Não se trata de justificá-la, mas de reconhecer sua presença histórica. O maior absurdo não é a descoberta do crime, mas a inversão de valores: quando o corrupto vira herói e o justo é punido.

    O Brasil carrega isso em seu DNA. Desde a "estranha" mudança de rota de Cabral, nossa história foi marcada por desvios. Se em alguns períodos houve silêncio, não foi por falta de crime, mas por excesso de opressão e censura.

    Hoje, a exposição desses atos é um mal necessário. Só combatemos o que vemos. Que a justiça prevaleça e que os corruptos, finalmente, paguem por seus atos.

    Tenho uns versos sobre isso:

    O Mal que Atravessa as Eras


    A corrupção não é nova, é ferida antiga,
    Que ao longo da história o humano abriga.
    Lá no Gênesis santo, o erro se fez,
    Na oferta de Caim, na sua insensatez.
    Pela inveja do irmão que agiu com retidão,
    O sangue tingiu o chão da nação.
    Não justifico o erro, nem passo o pano,
    Mas vejo que o vício é um traço humano.


    O pior não é quando o crime se revela,
    E a luz da verdade atravessa a cela.
    O drama real, que o peito consome,
    É ver o corrupto com honra e renome.
    Transformam o vilão em um falso herói,
    Enquanto a justiça, por dentro, corrói.
    O justo é punido, o certo é invertido,
    E o povo assiste, no chão, abatido.


    O Brasil já desperta nesse berço viciado,
    Um destino traçado, um plano forjado.
    A viagem de Pedro, o rumo alterado,
    Seria um desvio ou um ato planejado?
    No Porto Seguro, a sombra se esconde,
    E a história caminha sem dizer para onde.
    Crescemos na sombra de acordos e tramas,
    Queimando a ética em fortes chamas.


    Houve tempos de treva e de mudo lamento,
    Onde a corrupção era um vento sedento.
    Se nada se ouvia, não era a pureza,
    Era o peso do punho, a mão da rudeza.
    A opressão calou quem queria falar,
    Proibindo o povo de se manifestar.
    Mas o silêncio imposto não limpa o pecado,
    Apenas mantém o veneno guardado.


    Por isso é preciso que o lodo apareça,
    Que a podridão enfim resplandeça.
    Pois só o que se vê pode ser enfrentado,
    E o ciclo maldito, enfim, quebrado.
    Que a punição venha, severa e urgente,
    Limpando o futuro da nossa semente.
    Que o crime não tenha mais vez nem guarita,
    E princípios éticos sejam a lei que nos habita.


    Abraços!

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  5. Um belo trabalho literário que expressa uma preocupação que incomoda muitos brasileiros de bem que, infelizmente, existe há muito tempo. Hilmar Hortegal.

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  6. Um soneto que d/estampa (e nos desencanta!) os mandos e desmandos de quem se locupleta por meio da corrupção, que, em nosso país, é uma prática histórica - e generalizada!

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