domingo, 8 de março de 2026

NÃO ACREDITO

 Novos artigos de segunda #72

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 


VI, LI, OUVI… MAS NÃO CONSIGO ACREDITAR

José Neres 


Está cada dia mais difícil acreditar no que vemos, lemos ou escutamos. E não estou falando aqui da onda de textos, imagens e sons criados por Inteligência Artificial, nem dos boatos, mentiras, hoax ou fake news que assolam nosso dia a dia. Falo de situações constrangedoras que nos levam a deixar de acreditar em nossos próprios sentidos. Um

Deixando de lado as questões políticas que acabam afetando até mesmo nosso senso lógico, passo abaixo a tentar reproduzir algumas cenas absurdas que vivenciei recentemente. Nem sob tortura direi quem disse as asneiras, mas todas elas foram colhidas do terreno de nossa realidade.

1 - Uma confissão 

Durante uma “live” sobre literatura, um professor declarou em alto e bom som que é apaixonado pela obra de José de Alencar, mas fez uma ressalva: ele se diz apaixonado especialmente por uma das personagens alencarianas, contudo, segundo ele, não é por Capitu, que ele inclusive considera “meio biscate”, mas sim por Helena… 

Essa confusão mental pode até ser um lapso momentâneo, mas creio que alguém apaixonado por Alencar não confunde suas personagens com as de Machado de Assis.

Contudo, o pior viria depois. O mesmo professor afirmou diversas vezes que é preguiçoso, não gosta de estudar e que desde pequeno só pensa em se aposentar… um belo exemplo para as próximas gerações de docentes.

2 - Educação 

Uma aluna do Ensino Médio chega para o professor e diz que está muito chateada, pois o professor não permite que ela durma durante as aulas. “Isso é um absurdo! Que dizer que tenho que ficar acordada na sala? Nunca vi isso!!!” Depois, ela saiu indignada por não ter permissão para tirar seu sagrado cochilo durante as explicações do mestre…

Parece piada, mas é verdade. Essa situação serve para demonstrar como está nossa educação hoje em dia….

Mas acho que não é só a garota que está dormindo durante as aulas. Grande parte da sociedade também dorme em berço esplêndido, enquanto nossa aprendizagem mergulha em um poço de descaso.

3 - Miopia

Conversando com uma autoridade do poder judiciário, caí na besteira de perguntar sobre os escândalos que são divulgados diariamente pela imprensa nacional. Essa autoridade me ouviu atentamente e depois respondeu com toda a calma do mundo:

“Tudo faz parte de um plano para desestabilizar o governo. Nunca houve corrupção no judiciário. A imprensa pega uma besteirinha e a transforma em um monstro de sete cabeças. Mas tudo não passa de boato. Nunca existiu corrupção no judiciário.”

Mudei de assunto. Melhor não contrariar…

4 - Orgulho

Diante de alguns colegas de turma e de alguns transeuntes, uma aluna do terceiro período de Letras se vangloria de jamais haver lido um único livro durante toda a sua vida. Mas sempre foi aprovada…

Sem constrangimento, todos riem.

Provavelmente, ela fará seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre “A Importância da leitura etc etc etc.”

O futuro da educação está garantido. 

Só não sei como será esse futuro…

***

Essas cenas poderiam ter sido criadas por um simples prompt de Inteligência Artificial, mas são frutos da realidade e, para confirmar a veracidade, podemos lembrar a frase final de I-Juca Pirama: “Meninos, eu vi!”

sexta-feira, 6 de março de 2026

LOUCA DECISÃO

NÃO AO FEMINICÍDIO

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 

11340/2006

José Neres 

Mulher não pode ser carne barata
Exposta em vitrine de podridão 
Ou espúrio prêmio da devassidão 
De moleque que age como primata.

Não deve ser aquela a quem se mata
Só por ousar um dia dizer não,
Por capricho, ciúmes ou traição,
Ou simplesmente por achá-la chata,

Ou por terminar uma relação 
Já sem futuro e tão sem emoção 
Ou por buscar solução imediata

Que apenas na mente de um psicopata 
Pode pensar ter alguma razão,
Mas que é somente louca decisão.

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 


quarta-feira, 4 de março de 2026

MEU AMIGO INSEPARÁVEL

 Novos artigos de segunda #71

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 

MEU AMIGO INSEPARÁVEL 

José Neres 


Creio que eu estava com sete para oito anos quando fomos apresentados. Ele era bem mais velho do que eu e demonstrava ter muita experiência de vida. Lembro-me que fiquei encantado com sua sabedoria. Tudo o que eu lhe perguntava, ele me respondia. Às vezes demorava um pouco, mas sempre respondia.

Nos horários vagos, ele costumava me contar um monte de histórias bonitas. Príncipes, reis, heróis, seres encantados, aventuras, romances… Ele tinha um incrível arsenal de histórias. E isso me encantou desde nosso primeiro contato.

O tempo foi passando e um dia ele me disse que eu precisava dividir minha atenção com outros assuntos. Nem tudo na vida são aventuras. E um dia eu necessitaria ganhar a vida com o suor de meu rosto.

Paciente, ele me mostrou diversos caminhos que eu poderia seguir. Mesmo com minhas constantes hesitações, dúvidas e mudança de rotas, ele estava sempre ali, orientando-me sem impor suas vontades.

“O destino é seu. Você que sabe para onde quer ir e onde vai chegar. Meu dever de amigo é sempre apoiar você e oferecer um pouco do que aprendi durante minha longa existência”, disse-me um dia em que eu estava indeciso entre os números e as letras; entre os cálculos e a sensibilidade literária; entre a poesia das fórmulas e as fórmulas da poesia. 

Decidi. Depois mudei de ideia. Voltei a estudar para mudar meus rumos.

Cada vez que eu me sentava para tentar aprender algo, meu amigo ficava ali, ao meu lado, fazendo o possível para que eu alcançasse meus objetivos. Passamos inúmeros momentos juntos. Todos felizes. 

Passei no Vestibular para Letras e, no dia da matrícula, ele foi comigo para a Universidade. Todo orgulhoso do amigo que estava iniciando um novo trajeto em sua vida. Estranhamente, ele não pôde ir à minha formatura. Mas me deu todo apoio quando decidi cursar Comunicação Social. Na primeira semana não houve aula e ficamos vagando pelos corredores do prédio. Um dia lhe perguntei: “Você me aconselha fazer História?” “Aconselho e apoio”. Fiz. 

Vieram outros cursos e ele sempre ao meu lado… Muitas pessoas tentaram nos separar. Mas não conseguiram. Por nossa amizade, decidi perder muitas festas, bons momentos na praia, alguns namoros e até algumas pseudo-amizades. 

Quando tinha alguma dúvida, procurava-o e ele estava sempre disponível para um papo sobre qualquer assunto.

Lutei, trabalhei, viajei, voltei, envelheci… E ele sempre ao meu lado, atencioso e fiel. 

Agora mesmo, ele está aqui ao meu lado. Olhando para mim e rindo. Sorrio de volta. Ele tem o dom de não envelhecer. Inclusive já me avisou que brevemente nos separaremos. Não por nossa vontade, claro, mas pelo simples fato de que “tudo passa, tudo sempre passará”.

É tarde. Hora de dormir. Já levei uma bronca: “Esse texto era para ter sido escrito na segunda-feira. Preste atenção!” Que bronca!

Hora de dormir. Hora de colocar meu velho amigo para dormir. Levo-o para a estante e lá ele se reúne com seus outros amigos e repousa tranquilamente.

Amanhã estaremos juntos de novo. 

Ouço um boa-noite e apago a luz.

Obrigado pela companhia de sempre!

Obrigado por tudo!

domingo, 1 de março de 2026

UM ETERNO CONDENADO

 

Imagens elaboradas com auxílio de Inteligência Artificial 


UM ETERNO CONDENADO
José Neres


Não jogo a culpa no tempo passado
Como se essa herança fosse maldita
Sou fruto de meu povo escravizado
Pela história que geme, chora, grita…

Na terra meu sangue foi derramado
No peito, forte coração se agita
Vendo que tudo sempre esteve errado
No presente que meu nome cita

Como sendo um eterno condenado
A uma luta vã, triste, louca e aflita 
Para provar que jamais fui culpado

Por fria acusação que me limita
À categoria de pobre coitado 
Cuja presença a muitos irrita.

NÃO ACREDITO

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