Novos Artigos de segunda #57
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| Fonte da imagem: Internet |
LAMENTÁVEL ESSA NOSSA INSEGURANÇA
José Neres
- Você ficou sabendo do crime que aconteceu perto de sua casa?
- Não. Não fiquei sabendo.
- Pois é! Um bandido de moto tentou assaltar um senhor de uns setenta anos. Ele reagiu e foi morto a tiros.
- Não fiquei sabendo mesmo.
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Horas depois, ao acessar as redes sociais, fiquei sabendo do caso com mais detalhes. Para meu espanto, a vítima era Seu Jessé, um colega de atividades físicas, ao lado de quem tantas vezes corri e com quem eu me dava muito bem. Sempre com o olhar baixo e com a fala macia ele me cumprimentava com um sorriso manso geralmente oculto por suas longas barbas.
Isso me leva a refletir o quanto estamos inseguros em nossa cidade. A bandidagem anda solta e se sente no direito de fazer o que quiser. Nós, as possíveis vítimas, vivemos presos em nossos próprios lares e, quando saímos, temos que torcer para não entrarmos nessa macabra estatística que a cada dia se tona mais feroz.
Ontem foi alguém que provavelmente eu não conheci. Hoje foi Seu Jessé. Amanhã, a vítima pode ser eu, ou pode ser você que parou alguns minutos para ler estas linhas. Não sabemos. Mas o certo é que ninguém se sente seguro diante de um sistema que não nos oferece um mínimo de proteção, mas que tanto cobra de cada um de nós em forma de impostos e de regras que devem ser seguidas pelo bem de todos. Será mesmo pelo bem de todos? Ou somente de alguns?
O medo já faz parte da roupa que vestimos todos os dias. Cada vez que saímos de casa para o trabalho ou em busca de algum tipo de alento para sobreviver a esses tempos tão difíceis sabemos que aqueles podem ser nosso últimos momentos de vida. Talvez não teremos o prazer de voltar para casa e de rever nossos entres queridos, pois estamos à mercê do estado de humor de algum bandido que se sinta no direito de tirar nossa vida.
No noticiário da tarde, o âncora do jornal comunica que o suspeito já foi identificado e detido. Mas isso nao é garantia de que amanhã ou depois ele não esteja ciculando pelas praças e ruas de nossa cidade e praticando novos crimes.
As únicas certezas que temos é que nem amanhã e nem depois de amanhã, durante nossa corrida matinal ou noturna, iremos cruzar com Seu Jessé, que era um atleta notável, correndo pelas ruas do bairro, pois nada poderá trazê-lo de volta e de que sua família perdeu para sempre o prazer físico de companhia daquele pai, avô, tio, marido, companheiro... Ele não terá uma segunda chance!
E amanhã? Quem sabe o "suspeito" não estará livre cruzando com um de nós em uma dessas prováveis esquinas da vida. Talvez ele até esteja sorrindo e nos escolhendo para ser mais uma de suas vítimas. Quem sabe?
Espero que não!!!
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