Novos artigos de segunda #59
ALGUMAS REFLEXÕES
SOBRE ALGUMAS COISAS
(José Neres)
ÉTICA (?)
A semana foi
bastante movimentada. Participei de diversos eventos, mas, por questão de lógica,
acabei perdendo muitos outros. Um dos momentos de que participei foi o
lançamento do novo livro de Bioque Mesito – mais uma bela produção que
comentarei em outra ocasião.
Gosto muito de
participar dos lançamentos dos amigos. É uma forma de agradecer por tanto
carinho que recebo. É também uma oportunidade de reencontrar pessoas queridas. Nesse
caso específico, reencontrei os poetas Natan Campos e Hagamenon de Jesus.
Conversa vai, conversa vem e acabamos chegando (não me perguntem como!) à
questão do uso das chamadas Inteligências Artificiais na produção de textos literários.
Nós três chegamos
à conclusão (que pode inclusive estar errada) de que as IAs podem até produzir
textos tecnicamente bons, contudo não conseguem colocar nesses textos a “alma”
do poeta, do contista, do cronista ou do romancista. Mas há muitas pessoas que
não se importam com isso e já estão na onda de assinar poemas, contos, peças
teatrais, romances, artigos... dos quais não escreveram uma única linha.
Discutimos também
a ideia de que já deve haver dissertações de mestrado e até teses de doutorado parcial
ou totalmente escritas com a ajuda da Inteligência Artificial. Como quando
essas três pessoas se juntam a ironia marca o ritmo da conversa, começamos a
imaginar um texto acadêmico elaborado por uma IA, porém assinado por um ser
humano. E não é que esse texto imaginado seria sobre ética? Até imaginamos um
título genérico: A importância da ética na produção acadêmica.
Não duvidamos que tal
texto já esteja inclusive publicado e repetidamente citado nas esferas
eticamente acadêmicas!!!
ANA JANSEN E
DAMIÃO
Há alguns meses,
fui informado de que haveria um grande evento para comemorar os 50 anos da
publicação de Os Tambores de São Luís, obra-prima de Josué Montello. Durante
uma reunião com a diretora da Casa de Cultura Josué Montello, a queridíssima
Joseane Souza, surgiu a ideia de fazermos um esquete teatral inspirado do livro.
Gosto de desafios.
Seria um monólogo de com duração de aproximadamente 10 minutos e que representasse
o encontro entre Damião, o protagonista do romance, e Ana Jansen, uma das mais
poderosas mulheres do século XIX. A escritora, professora e atriz Linda Barros
se propôs a viver a personagem no palco na noite do lançamento do livro.
Sem nenhum sacrifício,
reli o livro. Nele, o encontro entre essas personagens é algo breve e marcante.
Que fazer então? A ideia foi reutilizar a cena descrita por Montello com elementos
que já haviam sido indicados em outros momentos da obra. Damião, o invisibilizado
professor negro do livro, deveria ter sua imagem construída na mente da
plateia, sem a necessidade de um ator em cena. O mesmo deveria acontecer com as
meninas escravizadas que serviam à matrona maranhense. O monólogo respeitaria o
tom sério da obra, mas teria um aspecto mais ácido.
Foi dessa forma
que surgiu “O Encontro”, breve monólogo que faz a plateia imaginar como seriam
a dor e a humilhação pelas quais passavam os escravizados em nosso Brasil.
Deixei a cargo da
atriz a caracterização da personagem, o figurino e o cenário. O que ela tem
feito muito bem nas apresentações.
A peça já foi representada
em diversos eventos de São Luís, em Viana, Itapecuru e Alcântara, sempre com
uma boa recepção.
Ah, naquela
reunião, a amiga e bibliotecária Wanda Sousa deu uma outra sugestão que vem
amadurecendo e em breve pode estar nos palcos.
Aguardemos.
MUDANÇA DE PENSAMENTO
Até bem pouco
tempo, eu me esquivava de toda qualquer manifestação de pessoas e instituições
que resolvessem prestar algum tipo de homenagem à minha pessoa.
A primeira ideia
que vinha à minha mente era: Não mereço essa homenagem.
Confesso que
continuo achando que não mereço mesmo tais homenagens. Porém, em uma conversa
com o jornalista, escritor e amigo Mhario Lincoln, comecei a repensar essas
atitudes.
Percebi que minha
recusa poderia ser decepcionante para uma pessoa que admira minha pessoa e/ou
meu trabalho.
Vejam só: alguém
que às vezes nem conheço direito gasta sua energia, seu tempo e até seu dinheiro
para demonstrar seu carinho e na hora H eu acabo sendo o sujeito e o objeto da
decepção de uma pessoa que deveria merecer meus aplausos e que tudo o que deseja
é minha simples presença.
Minha timidez e
minha teimosia não podem servir como desculpa para destruir um momento de
felicidade alheia. Então, mesmo continuando vestido com as vestes da humildade,
tenho tentado ser mais humano com as pessoas que demonstram algum tipo de
carinho por mim.
Só falta agora eu conseguir convencer alguns amigos que recusam até mesmo um mero "parabéns".





