Novos artigos de segunda #92
![]() |
| Fonte da imagem: arquivo do autor |
UMA INDICAÇÃO DE LEITURA
José Neres
Quarta-feira passada, estava eu em uma missão importantíssima, quando recebi uma mensagem de meu filho: “O livro que o senhor pediu acabou de chegar”.
Que notícia boa! A chegada de um livro é sempre algo que deve ser comemorado. Voltando para casa, fui informado de que o pacote estava na mesa da biblioteca. Munido de um estilete, abri a embalagem e me deparei com Texto, discurso e literatura: diálogos contemporâneos nos campos das letras, volume organizado pelos professores Alex de Castro da Costa, Paulo da Silva Lima e Rubenil da Silva Oliveira (Editora Pontes, 2026, 380 páginas).
O trabalho gráfico do livro está impecável. Obra de muito bom gosto estético. Mas o que me interessa de verdade é o conteúdo, é o lado humano que se esconde por trás do papel e da tinta. E quando um belo projeto gráfico se encontra com o lado humano de uma publicação, tem tudo para dar certo!
O livro encontram-se dividido em duas partes: a primeira é destinada aos estudos linguísticos, em suas variadas bifurcações: leitura, letramento, libras, gêneros textuais, construção de sentidos e outros assuntos pertinentes, todos importantíssimos para a compreensão das variadas facetas das linguagens. A segunda parte do livro tem como foco os estudos literários, com análise de obras e de autores como Silviano Santiago, José Sarney, Judith Gleason, Adelaide Carraro, Itamar Vieira, Conceição Evaristo, Luís Capucho e Carolina Maria de Jesus.
Como se pode ver, esse é um livro projetado para alcançar as mais diversas camadas dos estudos das linguagens...
Os organizadores e autores/as se esmeraram para oferecerem aos leitores um produto de qualidade, com artigos que envolvessem diversas camadas de análise e múltiplos olhares teóricos. As abordagens incitam o leitor a procurar mais informações sobre as temáticas abordadas e indicam caminhos para verificação, constatação e até mesmo para possíveis refutações das discussões apresentadas. E isso é bom. Pois as ciências tendem a crescer diante das divergências de ideias e da apresentação de argumentos verificáveis.
Lendo o livro, algumas dúvidas antigas voltaram a me perturbar: quais serão os motivos que levam alguns profissionais a não consumirem e nem indicarem os trabalhos intelectuais de seus próprios colegas? Por que será que algumas pessoas leem os trabalhos dos colegas em uma incessante busca de encontrar pequenas falhas e deslizes? (E, ao encontrarem, dão pulos de felicidade!) Por que citamos tanto os autores consagrados de outros rincões e damos pouca ou nenhuma atenção aos pensadores locais (Há até mesmo quem negue que eles existam). Por que tanto silêncio sobre o trabalho de nossos pesquisadores?
Bem, não tenho resposta para nenhuma dessas indagações. Só sei dizer que já estou quase chegando ao final do livro e que parabenizo e agradeço a todos/as os/as colaboradores/as por trazerem à luz do papel alguns dos resultados de suas pesquisas.























