Novos artigos de segunda #96
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| Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial |
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A NOSSA
José Neres
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Nunca esse poema de Cassiano Ricardo (1895-1974) foi tão atual. Estamos transferindo para uma máquina tarefas que até pouco tempo eram exclusivamente humanas. Resultado: ficamos ainda mais mentalmente preguiçosos.
Quando nosso cérebro é desafiado, ele é capaz de encontrar soluções surpreendentes para os diversos problemas que permeiam nosso dia a dia.
Porém, quando tudo já vem pronto, o cérebro tende a se acomodar e prosseguir com a naturalidade da lei do menor esforço.
É mais ou menos isso que vem ocorrendo com diversas pessoas que recorrem cotidianamente às chamadas Inteligências Artificiais para a solução de problemas aparentemente simples.
A Inteligência Artificial pode ser uma excelente forma de auxiliar o ser humano na realização de tarefas complexas e que exijam o tratamento e o cruzamento de grandes quantidades de dados e de informações, podendo, inclusive, auxiliar no processo de aprendizagem.
Contudo, há casos em que é primordial o uso da inteligência humana para evitar a dependência de sistemas mediadores que poderiam ser dispensáveis em situações nas quais bastaria o raciocínio lógico e aplicação de conhecimentos adquiridos ao longo da vida escolar.
Um exemplo disso está nos casos em que o educando recebe uma lista de atividades, copia ou fotografa as questões em dos diversos aplicativos, recebe a resposta final, mas não se preocupa com o processo que levou até ao resultado. Em casos assim, a pessoa pode até alcançar o objetivo de obter uma boa nota, contudo tal ação desprovida de planejamento não contribui para a ampliação dos conhecimentos.
As atividades acadêmicas não objetivam apenas a uma bonificação em termos de nota, mas sim a levar o aluno a compreender todo um processo que culmine em uma resposta e que estabeleça uma sequência lógica de raciocínio, com aplicação de teorias e de exemplificações inspiradas na prática. Ou seja, cada atividade tem como um dos objetivos fortalecer toda uma gama de conhecimentos e de saberes que poderão ser aplicados quando forem requisitados.
Há casos em que as pessoas partem do acesso às informações oferecidas por uma pesquisa em mecanismos de Inteligência Artificial e, a partir desses dados, conseguem estabelecer uma cadeia de causas e consequências que passa a constituir-se em parte de um conhecimento que se fortalece com a busca e compreensão de novas informações e de novos dados.
No entanto, também há pessoas que se contentam com as respostas sugeridas pelos aplicativos e acabam perdendo a capacidade de questionar e de buscar variações de respostas em outras fontes a partir de contato com outras leituras e com a divergência/convergência de pensamentos. Em casos assim, o hipotético aprendiz acaba estagnado em uma situação que tem como base apenas o sistema de perguntas-respostas, sem a mediação do próprio pensamento, já que as respostas já chegam prontas e são aceitas como verdadeiras e incontestáveis.
O uso das chamadas Inteligências Artificiais por parte de alunos, professores e demais atores da sociedade é um caminho sem volta, já que elas estão presentes até mesmo em lugares e suportes onde passam praticamente despercebidas. Contudo, é extremamente necessário compreender que a Inteligência Artificial deve ser vista como instrumento auxiliar e complementar às atividades humanas, e não como substituto integral do pensamento e das tomadas de decisão.
Antes de pensar em proibir o uso das Inteligências Artificiais é importante destacar que elas são bem mais aproveitadas quando utilizadas em conjunto harmônico com a nossa Inteligência Natural, devidamente alimentada por leituras e reflexões sobre nosso entorno.
Antes de culpabilizar a Inteligência Artificial pelos problemas do mundo, seria bom fazer uma reflexão sobre o uso que estamos fazendo cotidianamente dessa ferramenta.






















