Novos artigos se segunda #69
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NÚMEROS QUE ASSUSTAM
José Neres
Não sou fã de televisão. Evito ao máximo ficar diante dela. Mas, como ela está em praticamente todos os lugares, vez ou outra assisto a algum programa.
Um dia desses, peguei o controle remoto e comecei a pular de canal em canal. Fiquei assustado.
Em alguns programas voltados para o público que aprecia as notícias de caráter mais sangrento, os apresentadores mostraram casos que assustam e levam à reflexão. Na tela, os eventos se sucediam em profusão: mulheres mortas por seus companheiros. Os chamados casos de feminicídio (o nome é horrível, mas o ato é bem pior).
As notícias são tristes e repetitivas. Os casos são bastante parecidos, com alteração apenas no nome das vítimas. As mulheres sobreviventes terão que conviver com os traumas e quase sempre precisam deixar para trás pedaços da própria história.
Infelizmente, quase todas essas histórias começaram com uma frase: “Eu te amo!”, que escondia dentro de si uma tragédia quase sempre anunciada. E ainda há quem coloque a culpa na própria vítima. Horrível e irresponsável atitude!
Somente de 2020 até 2025 foram registrados milhares de casos e os números oficiais nem sempre dialogam com a macabra contabilidade do mundo real, pois existem omissões, subnotificações e casos que ainda estão sob investigação, sem contar que sempre pode haver alguma variação nos resultados de acordo com a fonte dos dados divulgados ao público.
De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), temos os números abaixo:
2020 - 1350 casos
2021 - 1400 casos (estimativa)
2022 - 1400 casos
2023 - entre 1438 e 1463 casos
2024 - 1450 casos
2025 - 1470 casos
O que dá uma média de aproximadamente 1418 mulheres assassinadas por ano, ou seja, cerca de quatro casos de feminicídio por dia no Brasil.
No Maranhão, os dados oficiais também são desanimadores:
2020 - 60 casos
2021 - 56 casos
2022 - 69 casos
2023 - 50 casos
2024 - 69 casos
2025 - 51 casos
Lembrando que esses dados também podem sofrer alguma variação por conta de subnotificações e de outros fatores. Os números mostram uma oscilação recorrente que não nos permite acreditar que a queda do último número tenha continuidade.
Tais números não devem ser tratados apenas como meras curiosidades estatísticas, deveriam, sim, servir como base científica para políticas públicas de proteção às potenciais vítimas, sem esquecer que todo e qualquer crime deve ser combatido com rigor e com as punições previstas na Lei.
Desliguei a TV e fiquei pensando que, apesar do sensacionalismo dos programa televisivos, essa notícias servem para nos tirar de uma nada confiável zona de conforto e pensar: “o que podemos fazer para essas essas notícias virem coisa do passado?".
Que cada um de nós faça a sua parte. Cada vida salva é uma vitória. Mas não temos como não lamentar as perdas.
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