domingo, 26 de julho de 2026

CEM ROMANCES

 Novos artigos de segunda #93


Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 


Cem bons romances da literatura brasileira que eu li


O problema de se publicar uma lista (do que quer que seja) é que sempre aparece alguém que deseja encontrar em nossa lista algo que ele gostaria de ter em sua própria lista. Não é justo!

Cada pessoa é um universo que segue por caminhos diferentes em praticamente tudo. Inclusive nas leituras e no consumo das demais formas de arte.

A lista a seguir é minha. Faz parte de minhas leituras ao longo de décadas e décadas. Claro que há omissões involuntárias, já que foi escrita de memória, com os únicos critérios de não usar mais de dois livros de um mesmo autor ou autora e de a obra pertencer à chamada literatura brasileira.

Aqui não existe preocupação com o cânone ou com os livros que os críticos consideram bons ou ruins. Trata-se apenas de uma experiência pessoal de leitura.


segunda-feira, 20 de julho de 2026

UMA SUGESTÃO DE LEITURA

 Novos artigos de segunda #92


Fonte da imagem: arquivo do autor



UMA INDICAÇÃO DE LEITURA

José Neres 


Quarta-feira passada, estava eu em uma missão importantíssima, quando recebi uma mensagem de meu filho: “O livro que o senhor pediu acabou de chegar”. 

Que notícia boa! A chegada de um livro é sempre algo que deve ser comemorado. Voltando para casa, fui informado de que o pacote estava na mesa da biblioteca. Munido de um estilete, abri a embalagem e me deparei com Texto, discurso e literatura: diálogos contemporâneos nos campos das letras, volume organizado pelos professores Alex de Castro da Costa, Paulo da Silva Lima e Rubenil da Silva Oliveira (Editora Pontes, 2026, 380 páginas).

O trabalho gráfico do livro está impecável. Obra de muito bom gosto estético. Mas o que me interessa de verdade é o conteúdo, é o lado humano que se esconde por trás do papel e da tinta. E quando um belo projeto gráfico se encontra com o lado humano de uma publicação, tem tudo para dar certo!

O livro encontram-se dividido em duas partes: a primeira é destinada aos estudos linguísticos, em suas variadas bifurcações: leitura, letramento, libras, gêneros textuais, construção de sentidos e outros assuntos pertinentes, todos importantíssimos para a compreensão das variadas facetas das linguagens. A segunda parte do livro tem como foco os estudos literários, com análise de obras e de autores como Silviano Santiago, José Sarney, Judith Gleason, Adelaide Carraro, Itamar Vieira, Conceição Evaristo, Luís Capucho e Carolina Maria de Jesus.

Como se pode ver, esse é um livro projetado para alcançar as mais diversas camadas dos estudos das linguagens...

Os organizadores e autores/as se esmeraram para oferecerem aos leitores um produto de qualidade, com artigos que envolvessem diversas camadas de análise e múltiplos olhares teóricos. As abordagens incitam o leitor a procurar mais informações sobre as temáticas abordadas e indicam caminhos para verificação, constatação e até mesmo para possíveis refutações das discussões apresentadas. E isso é bom. Pois as ciências tendem a crescer diante das divergências de ideias e da apresentação de argumentos verificáveis.

Lendo o livro, algumas dúvidas antigas voltaram a me perturbar: quais serão os motivos que levam alguns profissionais a não consumirem e nem indicarem os trabalhos intelectuais de seus próprios colegas? Por que será que algumas pessoas leem os trabalhos dos colegas em uma incessante busca de encontrar pequenas falhas e deslizes? (E, ao encontrarem, dão pulos de felicidade!) Por que citamos tanto os autores consagrados de outros rincões e damos pouca ou nenhuma atenção aos pensadores locais (Há até mesmo quem negue que eles existam). Por que tanto silêncio sobre o trabalho de nossos pesquisadores?

Bem, não tenho resposta para nenhuma dessas indagações. Só sei dizer que já estou quase chegando ao final do livro e que parabenizo e agradeço a todos/as os/as colaboradores/as por trazerem à luz do papel alguns dos resultados de suas pesquisas.




quinta-feira, 16 de julho de 2026

O TEMPO

 É sempre bom lembrar que estamos aqui apenas de passagem e que talvez nem rastros de nossa existência deixaremos para a posteridade.

Fonte da imagem: Arquivo do autor



BRISA CONTRA ROCHEDOS

José Neres 

O tempo é duro. Jamais nos perdoa.
Escorre pelos vãos de nossos dedos
Parece lento, mas sempre ele voa,
Corre, salta e mergulha em nossos medos

E sendo triste a vida ou muito boa
Para ele somos apenas brinquedos
Ou rajada de vento que ressoa
Ou, talvez, uns meros frutos azedos

Na vã crença de ser uma pessoa…
Ele é guardião de nossos segredos
E maestro do ritmo que se entoa…

De nossa vida conhece os enredos
Nada do que acontece vem à toa 
Somos brisa a lutar contra rochedos

São Luís, 15 de julho de 2026.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

UM LIVRO DE VIRIATO GASPAR

 Novos artigos de segunda #91


Fonte da imagem: Internet


A ONIPRESENÇA DE 

VIRIATO GASPAR 

José Neres 


Os livros são, de certa forma, refúgios silenciosos de nossas memórias, fragmentos da história tanto de quem os escreveu quanto de quem os leu. Ao mergulhar nas páginas de um livro, o leitor passa a sentir-se presente em momentos que não viveu e recebe a permissão de dialogar com pessoas que possivelmente nem mesmo já estejam entre nós. 

Os escritores são pessoas tão iluminadas que conseguem permanecer mesmo quando se vão. Suas palavras deixam rastros, perfumes e novidades que permitem rastrear seus passos e conhecer parte de seus pensamentos, gostos e a anseios. Tornam-se onipresentes mesmo na inevitável eterna ausência física.

Viriato Gaspar (1952-2025) é uma dessas figuras iluminadas que permanecerá na memória de seus leitores/admiradores enquanto houver alguém escrevendo ou falando sobre arte, sobre poesia.

Navegando com elegância pelas profundas águas das palavras, esse poeta maranhense participou de antologias, publicou livros individuais e, desde o início da década de 1970, contribuiu para o engrandecimento das letras brasileiras.

Habilidoso no manejo com as palavras, Viriato Gaspar, demonstrava uma uma predileção pelos sonetos elaborados em redondinha maior ou menor, porém trafegava com desenvoltura e elegância por outras formas e métricas, recorrendo inclusive aos versos livres quando havia a necessidade de assim se exprimir. Ele era um cultor das formas, mas não um prisioneiro delas.

Os livros de Viriato Gaspar não foram obras do acaso. Eram, sim, trabalhos muito bem elaborados e cuidadosamente planejados, a fim de que todos os versos atingissem as esferas significativas almejadas pelo autor. E isso ocorre mesmo quando aparentemente o livro ainda estivesse por ser concluído, como aconteceu com Onipresença (Sioge, 1986, 42 pág.) e que foi publicado pelo Plano Editorial Maranhão Sobrinho. 

O livro conta apenas com 36 sonetos, já que, segundo o editor Francisco Alves Coelho, os demais poemas que comporiam o volume do chegaram depois, em virtude de problemas de saúde na família de Viriato Gaspar. Na orelha do livro, há a promessa de uma segunda edição com os demais textos. 

Mesmo curto, “Onipresença” não deixa de ser um livro denso. Nele, as conceituações propostas não abarcam os questionamentos feitos ou sugeridos. É um livro de inquietações, de dúvidas e de questionamentos constantes. Nele, podemos encontrar a ideia de que:


a tarde é pura trapaça 

de escuridões multicores,

em meio à vida que passa 

nos espinhando com flores. (pág. 17)


Pouco mais adiante, o leitor se depara com uma quebra de conceito do senso comum que coloca o domingo como dia de repouso para o trabalhador. O Poeta não concorda com essa ideia e defende a tese de que o:


domingo é apenas o espaço 

de transferir a semana

para além do tempo escasso

de coisa cotidiana.


domingo é o ócio do braço 

que batalhou na gincana 

da vida feita o cansaço 

da própria existência humana.


Viriato Gaspar era um questionador nato que gostava de desestabilizar a insana aparente lógica das coisas. Mesmo em um tema tão revisitado pela literatura - como é o caso do amor - ele levantava hipóteses que saiam do convencional esperado pela maioria dos leitores. Desse modo, em “Onipresença”:


o amor é mera morfina 

aspirina de vivência 

com que o homem imagina

curar a dor da existência. (pág 23)


Porém, conforme foi dito anteriormente, esse é um livro de questionamentos sem busca de respostas exatas. O Poeta tinha consciência de que a elaboração das perguntas poderia ser mais importante do que a busca das possíveis soluções para os problemas levantados. Dessa forma, diante de uma realidade tacocrática na qual a velocidade das ações paralisa até mesmo as possibilidades de desenvolver um pensamento reflexivo, ele (se) pergunta:


por que corre tanto o homem,

apressado, no seu carro,

que passa rápido e some

como a brasa de um cigarro?


deve ser motivo forte,

pois correm tantos, aos milhares,

como se tivessem morte

grudada aos seus calcanhares. (pág. 35)


Contudo, além de trazer indagações, Viriato Gaspar também atentou para a única certeza que temos, a constante proximidade da Morte, a verdadeira “Onipresença” que cerca todos os indivíduos a cada suspiro. O livro, desde as epígrafes até seu desfecho, é centrado na presença da tarde. Mas não apenas a tarde como período medido em horas e minutos, mas sim a ideia da tarde como momento de transição entre o dia (metáfora da vida) e a noite (simbologia recorrente da morte).

O livro como um todo pode ser lido como um longo poema que começa com a presença do calor emanado pela tarde e culmina com a ideia de que 


a tarde é mansa, mas rouba

as horas que a gente invente

para fugirmos de nós,


nessa doçura salobra

de se agarrar ao presente 

que nos escapa, veloz. (pág. 40)


Como questionamento final, o poeta pergunta - sem necessidade de procurar por resposta - sobre o destino físico do homem. O que sobrará depois que a tarde chegar a seu fim a noite estender seus braços sobre nós?


de que será feita 

a carne do homem,

Se a morte o espreita 

e os vermes o comem?

(...)

de que serão feitos 

seus sonhos, seus feitos,

que os anos consome? (pág. 38)


“Onipresença” é um livro que traz como conteúdo a própria essência humana questionada em forma de sonetos. O livro é também uma prova de que Viriato Gaspar e sua obra estarão sempre (oni)presentes na memória de quem admira a vida e a boa poesia.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

ORGULHO E PRECONCEITO

 
Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 



ORGULHO E PRECONCEITO 
José Neres 

I

Aquele orgulho que você trazia
Estampado em seu olhar e no peito 
Hoje já se perdeu na ventania 
Tornou-se rio de tórrido leito.

Da vida só levamos a alegria…
E você em nada jamais foi perfeito
Usava da galhofa e da ironia
Humilhava quem tinha algum defeito.

Falava que de ninguém dependia
Que tinha sido até grande prefeito 
Mas no bolso do povo a mão metia…

Agora, vivendo em plena agonia,
Percebe que nada mais tem jeito
Já não verá novo nascer de dia…

II

Morreu sem saber que cor não se pega 
E nem que todos nós somos iguais…
Quando às coisa do mundo alguém se apega,
Mal deixa de si alguns tristes sinais.

Ao pensar que só sua vida agrega
E que os outros são meros animais 
Afirmamos tudo que não se nega:
Nosso vil preconceito tão loquaz.

Preconceito é um diabo que nos cega
E que sempre nos leva para trás 
É gosma de quiabo que escorrega 

É bem triste playground de Satanás
É tal louco inferno que se encarrega 
De mostrar que somos meros mortais

domingo, 5 de julho de 2026

ANNE FRANK

 Novos Artigos de Segunda #90

Anne Frank - imagem disponível na internet 

O DIÁRIO DE ANNE FRANK 
(José Neres)

Semana passada não publiquei aqui. Estava cheio de tarefas e não sobrou tempo para ir além dos afazeres profissionais, dos diários eletrônicos, das bancas, das correções de provas e lançamentos de notas. 

Para ser sincero, até iniciei um texto, mas tive que deixá-lo pela metade, diante de uma enxurrada de compromissos urgentes. Contudo, ao chegar no quarto de meu filho, um livro de sua vasta estante me chamou a atenção: O Diário de Anne Frank (Editora Record, 2014). Já havia visto diversas referências a esse livro, mas nunca tido o interesse de lê-lo. 

Comecei a folhear aquele volume com 349 páginas e o estilo da autora logo chamou minha atenção. Uma prosa clara, elegante e recheada do que existe de mais importante em uma obra: a essência humana.

Aquela garota que viveu tão pouco deixou para a posteridade algumas lições de vida que só são encontradas em pessoas de espírito elevado. Ao longo do texto, ela faz com que o leitor se torne íntimo de toda uma gama de pessoas que viveram os horrores da II Guerra Mundial. Mas faz isso sem as pretensões de um pesquisador que busca causas e consequências.  Em cada página, ela simplesmente vive e sobrevive. Tira das dificuldades a experiência necessária para fortalecer seu espírito, mesmo que para isso seu corpo tenha sido muitas vezes alquebrado pelas adversidades.

A sinceridade é uma das marcas mais pungentes do livro. O amor pelo pai. As dificuldades de relacionamento com a mãe. O distanciamento com a irmã mais velha. A paixão pelo colega de abrigo. As incertezas e o contexto histórico mostram que Anne Frank não era e não se via como uma super-heroína com o ânimo inquebrantável. Na verdade, sua fragilidade era a grande alavanca para sua força. 

Os desejos físicos, as contrariedades, a fome, o desconhecimento sobre o próprio corpo e a vontade de aprender, mesmo diante de uma situação aparentemente incontornável, fazem com que aquela menina amadureça antes do tempo e passe a questionar tudo aquilo que lhe incomodava. Ela mesma tinha certeza de que esse perfil comportamental poderia ser-lhe prejudicial. Mas, diante de um incômodo duelo entre as aparências e a essência, ela optou por ser ela mesma. 

Quase no final do Diário, deparei-me com uma das melhores páginas sobre Educação Sexual para a juventude. Em poucas palavras, aquela garota com aproximadamente uma década e meia de vida, demonstrou como é importante o diálogo dos adultos com os jovens. Todo de modo elegante, conciso e carregado de ressentimentos. 

Valeu a pena ler cada palavra do livro. 

Fiquei imaginando sobre a qualidade das obras que brotariam das mãos daquela mocinha que sonhava em ser jornalista e escritora. Mas ela não teve a oportunidade de ter uma vida normal. A ela tudo foi negado, inclusive a vida.

 Ao concluir a leitura, resolvi escrever os versos que são reproduzidos abaixo. 


ANEXO
(José Neres)

Nem sempre dor, fome e medo têm nome
Às vezes, tornam-se rouco segredo
Que a cada dia nossos sonhos consome
Sem deixar de nos apontar um dedo

Indicando-nos que tudo o que some
Pode fazer parte de louco enredo
Que não controlamos e nos carcome
Em duvidosa paixão e triste medo.

Escondida, a vida dizia: tome 
Nota. Transforme a escrita em brinquedo
Mas não pense em um dia ter renome.

Hoje tuas palavras são rochedo 
E teu diário leva teu nome: Anne!
Voz que desafia o eterno degredo…

São Luís, 05 de julho de 2026.





sábado, 4 de julho de 2026

EM POUCOS CLIQUES

 

UM POUCO DE MIM EM ALGUNS CLIQUES

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 


1  - PRINCIPAL HOBBY:

(  ) Ouvir música 

(  ) Assistir a novelas

(X) Ler


2 - COR PREFERIDA:

(  ) Verde

(  ) Amarela

(X) Preta


3 - UMA MÚSICA BRASILEIRA:

(X) Rua Ramalhete

(  ) Menina Veneno

(  ) Cálice 


4 - UM FILME BRASILEIRO 

(   ) Central do Brasil

(X) Cidade de Deus

(  ) Ainda estou aqui


5 - UMA CANTORA BRASILEIRA

(   ) Elis Regina 

(   ) Alcione

(X) Cássia Eller


6 - UMA BEBIDA

(  ) Vinho

(  ) Cerveja 

(X) Suco de murici


7 - AUTOR QUE MAIS LI

(  ) Ferreira Gullar

(  ) Josué Montello 

(X) Assis Brasil


8 - UM POETA

(X) Mario Quintana

(  ) Carlos Drummond de Andrade 

(  ) Mário de Andrade 


9 - UMA ESCRITORA. BRASILEIRA 

(  ) Clarice Lispector 

(  ) Lygia Fagundes Telles

(X) Carolina Maria de Jesus


10 - MELHOR REPRESENTAÇÃO TEATRAL QUE VI

(X) Édipo Rei 

(  ) É...

(  ) Velhos caem do céu como canivetes






HOMENAGENS

 










quinta-feira, 2 de julho de 2026

COVA RASA

 Como hoje temos que explicar o óbvio, chamo a atenção para que o texto abaixo é apenas uma peça de ficção, sem  inculto com a realidade.

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 




COVA RASA
José Neres 

I

Era uma noite fria de janeiro.
Mais um novo triste ano começava
Mas que podia ser o derradeiro
De uma triste vida que se arrastava.

Já que desde meu vagido primeiro 
Algo ruim de perto me mirava
Deixando bem claro que meu cruzeiro
Era nau que a nenhum porto chegava.

Cedo a vida me lançou vil morteiro 
Que levou mão materna que eu amava
A paterna transformou-se em vespeiro

Que de hora em hora me amaldiçoava…
Dos meus nem imagino o paradeiro…
Cuspo na treva que me iluminava!

II

Era uma noite fria de janeiro
Triste eu pela fria noite vagava
Quando ali se formou um nevoeiro
Eu a um palmo quase nada enxergava.

De repente, aquele passado inteiro
Que há dezenas anos só me assombrava
Se pôs diante de mim por inteiro 
Com uma voz que tão fria vibrava:

“Filho - disse-me ele em tom zombeteiro -
Com bafo de enxofre que me atordoava
Matei tua mãe com golpe certeiro 

Pois a você nem a ela já não amava…”
Naquela fria névoa de janeiro
Eu, sorrindo, aquele corpo enterrava.

CEM ROMANCES

 Novos artigos de segunda #93 Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial  Cem bons romances da literatura brasileira que eu li ...