segunda-feira, 31 de agosto de 2026

LITERATURA E IA

 Novos artigos de segunda #96


Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 


OBRAS LITERÁRIAS?

(José Neres)

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Semana passada, conversamos um pouco sobre o uso das chamadas Inteligências Artificiais no cotidiano das pessoas. Volto hoje ao assunto, mas tocando em um tópico mais específico: o uso das IAs para elaboração de textos literários. 

Parece estranho, mas existem inúmeras pessoas que estão escrevendo poemas, contos, peças teatrais, romances e até publicando livros sem que nenhuma das palavras dessas “obras de arte” tenha sido escrita diretamente pelo “autor” ou “autora” que assina os trabalhos.

No intuito de saber como isso acontece, pedi à mais famosa e popular dessas inteligências artificiais que escrevesse um poema que simulasse o estilo do poeta curitibano Paulo Leminski. O resultado foi o seguinte:


a vida pede pressa
eu peço um café
a vida insiste em drama
eu finjo que é fé
no fim, tudo passa
menos a conta do café


Possivelmente, em um dia menos inspirado, Leminski poderia escrever algo assim. Caso esse poema estivesse em um livro em cuja capa houvesse o nome do poeta, possivelmente muitas pessoas acreditariam se tratar de um dos poemas desse autor, pois o trabalho com as palavras e o tom ácido e irônico característicos dele aparecem nos seis versos do poema. 

Contudo, os leitores mais acostumados com a obra de Paulo Leminski logo perceberiam que falta no poema algo que sai da esfera meramente técnica e entra no âmbito essencialmente humano: o poema até tem corpo, mas lhe falta a alma.

Esse tipo de exercício pode ser feito com diversos outros autores e o resultado será sempre parecido. Os pastiches literários elaborados por IA seguem um padrão generativo que mesclam o rastreamento de textos disponíveis na internet do/sobre o autor selecionado com as necessidades momentâneas do criador do prompt, como, por exemplo, a exigência do uso de determinadas palavras. (No exemplo citado, pedi que a palavra “vida” fosse utilizada obrigatoriamente.

Quando se faz isso apenas com finalidade lúdica e/ou educacional não vejo tantos problemas. Pode até ser divertido. Porém, tudo se torna mais complexo quando essas ferramentas são utilizadas com o fim deliberado de fazer o leitor crer que o pseudo autor possui um talento literário que visivelmente não tem.

Reportagens recentes mostram o aumento exponencial de livros gerados por Inteligência Artificial e comercializados como se fossem frutos exclusivamente do labor e do intelecto humano. 

Há, principalmente nas redes sociais, divulgações explícitas de empresas que prometem a elaboração de livros digitais em minutos, mediante determinado pagamento. A proposta é simples: “Diga o tema, as ideias básicas e o gênero do livro. Faça o pagamento. Espere o resultado e, em minutos, torne-se um talentoso romancista, poeta, cronista, contista ou expert em algum assunto”.

Parece piada, mas não é. Difícil até mesmo dizer como classificar esse atalho intelectual sem a presença do intelecto do hipotético e orgulhoso “escritor”.

Isso me faz lembrar o filme “Shortcut to Happiness” (rebatizado em português com o título O Julgamento do Diabo), no qual um escritor faz um pacto com o demônio para que seus livros façam sucesso. A diferença é que, no filme, o escritor tinha talento e sabia escrever. Apenas não tinha leitores. Já, em nossa realidade hipermoderna, ter talento e saber escrever são apenas meros detalhes dispensáveis e que até podem atrapalhar a carreira literária daquelas pessoas que nem mesmo têm uma alma para oferecer ao Diabo. 

A solução então é puxar um cartão de crédito/débito e fazer um pacto com a sedenta internet. E se esse “intelectual” não tiver dinheiro? Não tem problema, o Mefistófeles moderno tem também suas tentadoras versões gratuitas.

O bom de tudo é que esses "escritores" não precisam vender a alma para ninguém, pois, pelo menos aparentemente, em eles nem seus textos um dia tiveram uma que valesse a pena ser comprada 

sábado, 29 de agosto de 2026

DEVASTAÇÃO

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Um conto antigo que pede licença para voltar


Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial


DEVASTAÇÃO

José Neres

Impossível esquecer a primeira vez que vi Flora. Ela estava à beira do rio. Solitária. Vestida com muitos grilos e raríssimas borboletas. Sobre seu sexo, repousava um buquê de espinhadas e secas rosas, ladeadas por ramos de sensitivas e camomila. Silenciosa, ela mastigava mecanicamente um restinho de sonho. Suas mãos eram galhos ressequidos, mas suas unhas tinham ainda a maciez de perfumadas pétalas. Os grilos cobriam seu corpo. Deixavam pouco espaço para as multicoloridas borboletas.

            Aproximei-me devagar. Com olhar experiente, vi que aquele terreno ainda era fértil. Ela murchava a cada tentativa de toque. Pacientemente, espantei um a um os grilos. As borboletas encontram o caminho de volta, cobrindo o corpo de cores e alegrias. Cautelosamente, afastei os ramos de sensitivas e os de camomila. Livrei-a das ressequidas rosas e vi que um jardim se escondia por trás dos espinhos. Um jardim. Uma fonte de néctar com aroma de jasmim, sândalo e alecrim ao mesmo tempo. Provei o mel que emanava daquela fonte. As mãos ganharam viço de verdejantes folhas e as unhas atingiram consistência suficiente para arranhar minhas costas enquanto eu depositava nela a semente guardada para aquele momento.

            A cada encontro, Flora se renovava, alimentava-se de sonhos novos e o sorriso voltava a sua face. As borboletas esvoaçam pelo seu corpo, deixando entrever, em breves relances, suas perfeitas formas. O vento levava seu perfume para toda a região.

            Saciado, depois de tanto me afogar na seiva que ela abundantemente me oferecia, fiz o que sempre fora meu costume: procurei outros campos.

            Quem chegou depois de mim jura que ali nunca houve flores, nunca houve perfume, que ela jamais sorriu e que jamais uma borboleta pousou sobre aquele ressequido corpo. Pois os que tentaram espantar os grilos que a cobriam só encontraram um tronco coberto de percevejos e, cobrindo o ventre, sedosas folhas de urtiga.


 


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

MICROCONTOS

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Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 


👀NUDES👀

José Neres 

Vazou uma foto íntima de um famoso político. A moça recebeu, salvou e ampliou, ampliou, ampliou...

Identificou a imagem, do pai, da mãe, do namorado, do irmão e de diversos amigos grudadinhos nos mágicos testículos... 

Mas cadê ela?... Ah, sim! Ali, no cantinho mais suado da foto.

Sorriu. 

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 



NO COMÍCIO...
( José Neres)

A admiração pelo candidato era tão grande que nem percebeu sua carteira sendo levada durante o sorridente abraço.


CAMPANHA
(José Neres)

Almoçou na feira. Abraçou a idosa. Beijou a criança catarrenta. Deu comida para a gata abandonada. Sorriu para todos.

Em casa, desinfetou a mão com álcool. Vomitou a comida. Tomou banho e confirmou a reserva no restaurante de luxo.



MÃO DE FIGA
(José Neres)

"Quanto o senhor está pagando pelo votos de uma família de oito pessoas?"

"Minha senhora, eu não compro votos. Luto por um futuro melhor para todos da comunidade. Votando em mim, a senhora, sua família e todo mundo terão dias mais dignos. Conto com seu voto."

(...)

Graças a Deus que aquele mão de figa não ganhou. Não teve um voto por aqui. 
Onde já se viu? Eram oito votos garantidos. Amanhã, meu Deputado passa aqui e paga o restante do combinado. Aquele, sim, é de confiança!


PESQUISA
José Neres 

 - Chefe, detectei algumas inconsistências na pesquisa que será divulgada amanhã?

- Inconsistências?

- Sim. Por exemplo, o candidato Clientelino da Silva, não está 14 pontos do candidato Harmonizaldo Figueiroa. Na verdade, os dados e o clamor das ruas mostram o contrári.
- Ora, meu rapaz! Está tudo certinho. Se alguém reclamar, soltamos uma nota dizendo que nossa pesquisa tem 99% de confiança e que toda pesquisa é apenas o retrato de um momento. Dr. Clientelino pode até não ter voto, mas tem sempre  o nosso apoio.
- Sim, senhor. Entendo. Tudo certo.


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E NÓS

 Novos artigos de segunda #95

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 


A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A NOSSA

José Neres 

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Por que o raciocínio,
os músculos, os ossos?
A automação, ócio dourado.
O cérebro eletrônico, o músculo mecânico
mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?
O de metal não tornará o homem
mais cordial,
dando-lhe um ritmo extra-corporal?
Por que levantar o braço
para colher o fruto?
A máquina o fará por nós.
Por que labutar no campo, na cidade?
A máquina o fará por nós.
Por que pensar, imaginar?
A máquina o fará por nós.
Por que fazer um poema?
A máquina o fará por nós.
Por que subir a escada de Jacó?
A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós.
(Cassiano Ricardo)


Nunca esse poema de Cassiano Ricardo (1895-1974) foi tão atual. Estamos transferindo para uma máquina tarefas que até pouco tempo eram exclusivamente humanas. Resultado: ficamos ainda mais mentalmente preguiçosos.

Quando nosso cérebro é desafiado, ele é capaz de encontrar soluções surpreendentes para os diversos problemas que permeiam nosso dia a dia. 

Porém, quando tudo já vem pronto, o cérebro tende a se acomodar e prosseguir com a naturalidade da lei do menor esforço.

É mais ou menos isso que vem ocorrendo com diversas pessoas que recorrem cotidianamente às chamadas Inteligências Artificiais para a solução de problemas aparentemente simples. 

A Inteligência Artificial pode ser uma excelente forma de auxiliar o ser humano na realização de tarefas complexas e que exijam o tratamento e o cruzamento de grandes quantidades de dados e de informações, podendo, inclusive, auxiliar no processo de aprendizagem. 

Contudo, há casos em que é primordial o uso da inteligência humana para evitar a dependência de sistemas mediadores que poderiam ser dispensáveis em situações nas quais bastaria o raciocínio lógico e aplicação de conhecimentos adquiridos ao longo da vida escolar.

Um exemplo disso está nos casos em que o educando recebe uma lista de atividades, copia ou fotografa as questões em dos diversos aplicativos, recebe a resposta final, mas não se preocupa com o processo que levou até ao resultado. Em casos assim, a pessoa pode até alcançar o objetivo de obter uma boa nota, contudo tal ação desprovida de planejamento não contribui para a ampliação dos conhecimentos. 

As atividades acadêmicas não objetivam apenas a uma bonificação em termos de nota, mas sim a levar o aluno a compreender todo um processo que culmine em uma resposta e que estabeleça uma sequência lógica de raciocínio, com aplicação de teorias e de exemplificações inspiradas na prática. Ou seja, cada atividade tem como um dos objetivos fortalecer toda uma gama de conhecimentos e de saberes que poderão ser aplicados quando forem requisitados.  

Há casos em que as pessoas partem do acesso às informações oferecidas por uma pesquisa em mecanismos de Inteligência Artificial e, a partir desses dados, conseguem estabelecer uma cadeia de causas e consequências que passa a constituir-se em parte de um conhecimento que se fortalece com a busca e compreensão de novas informações e de novos dados. 

No entanto, também há pessoas que se contentam com as respostas sugeridas pelos aplicativos e acabam perdendo a capacidade de questionar e de buscar variações de respostas em outras fontes a partir de contato com outras leituras e com a divergência/convergência de pensamentos. Em casos assim, o hipotético aprendiz acaba estagnado em uma situação que tem como base apenas o sistema de perguntas-respostas, sem a mediação do próprio pensamento, já que as respostas já chegam prontas e são aceitas como verdadeiras e incontestáveis. 

O uso das chamadas Inteligências Artificiais por parte de alunos, professores e demais atores da sociedade é um caminho sem volta, já que elas estão presentes até mesmo em lugares e suportes onde passam praticamente despercebidas. Contudo, é extremamente necessário compreender que a Inteligência Artificial deve ser vista como instrumento auxiliar e complementar às atividades humanas, e não como substituto integral do pensamento e das tomadas de decisão.

Antes de pensar em proibir o uso das Inteligências Artificiais é importante destacar que elas são bem mais aproveitadas quando utilizadas em conjunto harmônico com a nossa Inteligência Natural, devidamente alimentada por leituras e reflexões sobre nosso entorno. 

Antes de culpabilizar a Inteligência Artificial pelos problemas do mundo, seria bom fazer uma reflexão sobre o uso que estamos fazendo cotidianamente dessa ferramenta.

sábado, 15 de agosto de 2026

DEPOIS

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DEPOIS
(José Neres)

Depois da morte, que resta de nós?
Um silêncio, um vazio, um clima tenso?
Talvez um eco oco de nossa voz 
Ou marca de lágrima em algum lenço?

Só sei que o tempo é vento veloz
A apagar da vida o soprar intenso
A transformar o medo mais atroz
Em fumaça de perfumado incenso.

Então, se nada sabemos do Após,
Para que viver em falta de senso?
Para que essa fala em casca de noz?

Pois nós, na soma deste mundo imenso,
Somos poeiras, refugos e pós 
Sem tanto valor no Eterno Censo…

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

QUEM VALE MAIS?

 Novos artigos de segunda #94

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QUEM VALE MAIS?

José Neres 

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Quem é mais importante? A mãe ou o pai? Não sei responder marcando apenas uma das opções. Acredito que os dois são muito importantes para a formação física, afetiva, moral e intelectual de um filho ou filha.

Mas…

Mas, para o comércio em geral, a mãe é muito mais importante e lucrativa que os papais. Ou será que não?

Voltemos alguns meses… mês de maio, Dia das Mães, lojas enfeitadas, shoppings com decorações especiais, flores e outros mimos. Restaurantes com reservas lotadas desde as semanas anteriores e filas na entrada. Mamães alegremente recebidas com um efusivo “Parabéns!”. Muitas vezes, música ao vivo, sorteio ou distribuição de brindes. Muitos dos frequentadores com embalagens coloridas para presentear a pessoa amada. Milhares de fotos e mensagens nas redes sociais… na playlist , músicas em homenagem às mães. Tudo lindo. Tudo perfeito. Parabéns!

Agosto. Segunda semana. Lojas abrem e fecham nos horários tradicionais. Atendentes com cara sisuda e o habitual mau-humor. Nenhuma lembrancinha. Raros parabéns. Restaurantes sem necessidade de reservas. Raramente se observa alguém entrar com um presente. Poucos presentes, muitas ausências! Nas redes sociais, várias mensagens também, muitas delas com referências e agradecimentos aos pais, mães e pães (mães que também desempenharam o papel do pai). Nada de playlist especial. Para quê? Bastam os barulhos dos talheres e o mastigar de algumas bocas abertas…

Certa vez, fiz essas observações à dona de um restaurante, no momento em que pagava a conta do Dia das Mães. Ela olhou para mim e disse que eu estava enganado e que, pelo menos naquele estabelecimento, o Dia dos Pais também era bastante comemorado e que até o cardápio era especial.

Esperei alguns meses e fiz questão de voltar no segundo domingo de agosto. Tudo normal. Nada que lembrasse uma data comemorativa. Ela, já esquecida da conversa de maio, disse que era um dia de movimento normal e que até pensou em colocar uma música ao vivo, mas os custos eram muito altos e não compensam. Voltei lá por mais dois anos consecutivos. Em maio e em agosto. As diferenças eram as mesmas. Parece que o lucro do Dia dos Pais não motiva nem mesmo gastar tempo com um “Parabéns!”

Ainda bem que existem vida, cortesia e amabilidade fora do comércio.

Papais e mamães agradecem… mas bem que os comerciantes e as equipes de marketing poderiam lembrar que país, mães, crianças, namorados e final de ano são datas que deveriam ser marcadas pelos variados tipos de amor. E o Amor (pelo menos o verdadeiro) se incomoda muito com (in)diferenças de tratamento...

Parabéns, pais!

Parabéns, mães!

Vocês são muito importantes para todos nós!

domingo, 9 de agosto de 2026

O SORRISO DE ZEUS

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O SORRISO DE ZEUS
José Neres 


Meu pai mantinha o sorriso de Zeus
Mas acho só eu via isso, talvez
Por causa dos míopes olhos meus
Que só a ele viam com nitidez…

Sem chance de se despedir dos seus,
Ele somente se calou de vez
E se bazugou nos braços de Deus
Onde descansou em plena altivez…

As suas obras não ilustram museus 
Mas serão lembradas com solidez
Nas recordações de meus tantos eus 

Hoje, presente, em eterna mudez,
São ainda os vários conselhos seus
Que guiam minha pouca lucidez.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

DESMONTE

 
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DESMONTE
José Neres 

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Poesias são pássaros que não 
Respeitam os limites do Horizonte,
Que se dividem entre fome e pão 
E, não sendo muro, almejam ser ponte…

Não querem poemas como prisão,
Só se alimentam em eterna fonte 
De onde jorra todo tipo de emoção 
A rolar por um profético monte.

A poesia jamais voa em vão 
Traz a leveza do rinoceronte 
Nas temidas garras do gavião.

Ela gruda em nós como simbionte
E nela nos tranca como em caixão 
E causa dentro de nós um desmonte…

São Luís, 07.08.2026.

NA ESCOLA

 Novos artigos de segunda #97 Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial  NA ESCOLA José Neres  ISNI: 0000000530697862 A brevís...