terça-feira, 25 de novembro de 2025

LAMENTÁVEL ESSA NOSSA INSEGURANÇA

 Novos Artigos de segunda #57


Fonte da imagem: Internet


LAMENTÁVEL ESSA NOSSA INSEGURANÇA

José Neres

- Você ficou sabendo do crime que aconteceu perto de sua casa?

- Não. Não fiquei sabendo.

- Pois é! Um bandido de moto tentou assaltar um senhor de uns setenta anos. Ele reagiu e foi morto a tiros.

- Não fiquei sabendo mesmo. 

****

Horas depois, ao acessar as redes sociais, fiquei sabendo do caso com mais detalhes. Para meu espanto, a vítima era Seu Jessé, um colega de atividades físicas, ao lado de quem tantas vezes corri e com quem eu me dava muito bem. Sempre com o olhar baixo e com a fala macia ele me cumprimentava com um sorriso manso geralmente oculto por suas longas barbas.

Isso me leva a refletir o quanto estamos inseguros em nossa cidade. A bandidagem anda solta e se sente no direito de fazer o que quiser. Nós, as possíveis vítimas, vivemos presos em nossos próprios lares e, quando saímos, temos que torcer para não entrarmos nessa macabra estatística que a cada dia se tona mais feroz.

Ontem foi alguém que provavelmente eu não conheci. Hoje foi Seu Jessé. Amanhã, a vítima pode ser eu, ou pode ser você que parou alguns minutos para ler estas linhas. Não sabemos. Mas o certo é que ninguém se sente seguro diante de um sistema que não nos oferece um mínimo de proteção, mas que tanto cobra de cada um de nós em forma de impostos e de regras que devem ser seguidas pelo bem de todos. Será mesmo pelo bem de todos? Ou somente de alguns?

O medo já faz parte da roupa que vestimos todos os dias. Cada vez que saímos de casa para o trabalho ou em busca de algum tipo de alento para sobreviver a esses tempos tão difíceis sabemos que aqueles podem ser nosso últimos momentos de vida. Talvez não teremos o prazer de voltar para casa e de rever nossos entres queridos, pois estamos à mercê do estado de humor de algum bandido que se sinta no direito de tirar nossa vida.

No noticiário da tarde, o âncora do jornal comunica que o suspeito já foi identificado e detido. Mas isso nao é garantia de que amanhã ou depois ele não esteja ciculando pelas praças e ruas de nossa cidade e praticando novos crimes. 

As únicas certezas que temos é que nem amanhã e nem depois de amanhã, durante nossa corrida matinal ou noturna, iremos cruzar com Seu Jessé, que era um atleta notável, correndo pelas ruas do bairro, pois nada poderá trazê-lo de volta e de que sua família perdeu para sempre o prazer físico de companhia daquele pai, avô, tio, marido, companheiro... Ele não terá uma segunda chance!

E amanhã? Quem sabe o "suspeito" não estará livre cruzando com um de nós em uma dessas prováveis esquinas da vida. Talvez ele até esteja sorrindo e nos escolhendo para ser mais uma de suas vítimas. Quem sabe?

Espero que não!!! 



sábado, 22 de novembro de 2025

OS TRILHOS DO PINDARÉ

 


Minha homenagem à cidade e Alto Alegre do Pindaré 

OS TRILHOS DO PINDARÉ 

(José Neres)


Segue o destino no trilho do trem
Sempre adiante. Sem nunca dar ré.
Vida é um vale que tudo contém,
É mar incontido em sua maré.

Vida é rio puro… não se retém,
Nem deixará de ser o tudo que é.
Pois dela tudo se torna refém 
Seja vazio ou repleto de fé.

Vida é o que vejo aqui e muito além 
Aqui, ali, acolá, em todo resto até,
Pois morte é sopro de vida também 

A morder a sola do nosso pé.
Vida é saudade que não se detém 
Ao ecoar nos vales do Pindaré.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

CONECT@DOS - E-BOOK

Apresento a vocês nosso novo E-book, intitulado Conect@dos - O novo normal nas relações hipermodernas. O livro é composto por trinta (30) contos que trazem em seu bojo as relações humanas nesta sociedade que preza pelas conexões nem sempre tão pessoais assim.

O E-book é gratuito e pode ser baixado com um clique no link abaixo

CONECT@DOS

Reprodução da Capa do E-Book



domingo, 16 de novembro de 2025

ESTRELAS DE UMA INFINITA CONSTELAÇÃO

 Novos Artigos de segunda #56

ESTRELAS DE UMA INFINITA CONSTELAÇÃO – PARTE III

José Neres

 

Fonte da imagem: Arquivo do autor 

Em 2022, quando era ainda colaborador semanal do site Região Tocantina (que atualmente se encontra em pausa), iniciei uma série de artigos comentado a produção literária de escritoras maranhenses contemporâneas. Compromisso e mais compromissos fizeram com que eu adiasse a publicação dos outros textos da série.

Durante esse período, escrevi sobre a obra de diversas escritoras, mas somente agora, pouco mais de três anos depois de haver publicado a parte II, decidi dar continuidade a esse tipo mais geral de estudo.

Uma autora que chamou minha atenção foi LILA MAIA, uma maranhense radicada no Rio de Janeiro, que vem produzindo uma obra de grande densidade poética e cuja obra recentemente foi condensada na antologia “De porta em porta abro janelas”, publicada pela Academia Maranhense de Letras. A poética de Lila Maia apresenta certa contenção verbal impregnada de trechos com grande profundidade imagética. Ela tem consciência de que a poesia vai além das palavras e que os silêncios podem ser eloquentes. Percebe-se em seus poemas um meticuloso trabalho com as escolhas lexicais, conforme pode ser visto em “Amadurecimento”, no qual deixa para o leitor a oportunidade de destrinçar inclusive o não-dito

Solidão é uma China

                        O país mais populoso do mundo

Recentemente eleita para a Academia Maranhense de Letras, a escritora CERES MURAD é mais conhecida por suas atividades nos campos educacionais, porém é também uma hábil cronista e uma poetisa com bons recursos estilísticos, conforme pode ser visto em seu livro “A Raposa Surda” (2024) , um trabalho que pode atingir leituras das mais diversas faixas etárias e que pode ser lido em palimpsesto, de acordo com a camada que deseja ser atingida. Bastante preocupada com a formação e inclusão do Ser Humano na sociedade, Ceres Murad, ao escrever em prosa ou em verso, não deixa de lado sua condição profissional de educadora e acaba transformando em lições de vida cada parágrafo e cada estrofe, lembrando também que cada momento da vida pode ter um significado para quem aproveita as oportunidades que são colocadas em nossos inúmeros caminhos, como pode ser visto no exemplo abaixo:

Dançar

Melodia que invade a rigidez do corpo.

Palavra que invade a rigidez da mente.

Fantasia que invade e faz voar a alma.

 

Inútil, fútil, banal?

 

E daí?

 

A construção poética de MARUSCHKA DE MELLO E SILVA, autora de “Tábua Etrusca” (2022) é carregada de intenções de mostrar que as temáticas poéticas podem emergir das fissuras existenciais e dos incômodos que permeiam a vida das pessoas. Seus versos são sintéticos e carregados de questionamentos que não se contentam com respostas simples, fáceis e diretas. Em muitos casos, os questionamentos levantados são mais significativos do que suas possíveis soluções. Na poesia de Maruschka de Mello e Silva, o ser humano se mostra fendido, mas tais fendas não são frutos de defeitos ou de heranças sociais, demonstram ser efeitos das relações do Ser com a sociedade e, muitas vezes, resultados dos encontros com as próprias experiências. “Tábua Etrusca” é um livro que exige uma leitura atenta e reflexiva.

 

PROCURO POR TUDO

Em cada secular castigo

rejeito sonhos

em arredia vigília

o azul da lua rouba a noite

sem complacência

procuro meu quinhão

em tuas dádivas

procuro por tudo que nunca tive

 

RAY BRANDÃO, autora de “Penélope – Uma odisseia interior”, aposta na sensibilidade e no mergulho na alma do Ser Humano, principalmente pelo olhar feminino. Sua obra aposta em uma aparente simplicidade tanto na forma quanto na temática. Contudo essa “simplicidade” pode ser enganosa, pois está ancorada na complexidade humana em suas diversas nuances e necessidades. A ênfase verbal na primeira pessoa do plural remete a um pacto autobiográfico, contudo, sem muito esforço, os frames suscitados nos versos podem ser colocados nas cotas das experiências humanas que se repetem geração após geração, com os devidos filtros das singularidades e dos aspectos culturais das pessoas ao longo dos tempos. Leia o poema abaixo, no qual a escrita investe nos jogos antitéticos e na subjetividade do eu lírico.

O MISTÉRIO

Há um enigma no ar.
Os sentidos percebem
O silêncio da escuridão
E o frio do deserto.
O vazio surpreende.
Ele é o mistério.
Nada há nele
Mas ele preenche tudo.

 

Em seu livro de estreia – “Miscelânia Poética” (2022), – a professora e poetisa ERLINDA MIRANDA investe nas relações humanas e educacionais que são traduzidas em forma de poemas. Seus versos são simples e isentos de preocupações com a forma, seja com relação à rima, seja a respeito da metrificação. Os versos livres oferecem ao leitor diversas possibilidades rítmicas e interpretativas. De qualquer modo, a escritora Erlinda Miranda revela certo didatismo filosófico em seus textos, tentado atingir o lado mais sensível das pessoas, como ocorre no poema abaixo, intitulado “Vamos... Antes”.

 

Antes que o sol se esconda
Antes que o mar se assanhe
Antes que vire onda
Antes que o dia acabe
Vamos sentir a brisa.

 

Brevemente voltaremos com a quarta parte desta série. Até a próxima.

Se quiser ler os artigos anteriores, basta clicar abaixo:

PARTE I

PARTE II

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

PENSANDO SEM IA

 Novos artigo de segunda #55


PENSANDO (SEM IA)

José Neres

Imagem criada com auxílio de Inteligência Artificial


Repleto do compromisso, não consegui escrever meu texto semanal domingo nem na segunda-feira. Hoje, depois de não conseguir ir para uma reunião, de não conseguir ser atendido por um médico, que não soube cumprir seus horários, de falar para algumas dezenas de universitários (saudades do tempo em que ministrava aula em cursos superiores!), de dirigir por horas em um engarrafamento brutal e de elaborar algumas questões, finalmente consegui parar um pouco para colocar algumas ideias na tela do computador e depois transferir para este pobre, porém carinhoso blog.

Começo pensando na COP30

Pode ser impressão minha, mas até agora não tive notícia sobre as discussões e debates entre os especialistas nos assuntos ambientais. Claro que as COPs são eventos mais políticos que científicos e quem realmente entende do assunto fica sempre silenciado pelos holofotes focados em quem compareceu apenas por obrigação protocolar ou para tirar uma foto.

Claro que são poucas as pessoas que conseguem ouvir um debate sério entre estudiosos do assunto. Claro que é mais fácil divulgar cifras estronômicas do que lembrar que pequenas atitudes podem também ajudar a mitigar os danos causados ao planeta. Nem tudo é somente dinheiro. Há muitas situações em que é preciso investir em estratégias de ensino que levem jovens e adultos a refletirem sobre o papel de cada um de nós dentro da imensa engrenagem chamada ambiente.

Claro que divulgar nomes de cientistas e de pesquisadores presentes no evento não atrai o olhar do grande público. É bem melhor e mais midiático transmitir os shows das celebridades, as gafes (muitas) dos políticos que pouco sabem do assunto, as esdrúxulas performances artísticas que costumam atrair multidões etc. Mas não custa nada pelo menos fingir que questões ambientais são um assunto sério e que vai muito além de estender uma bandeja para mendigar recursos financeiros.

Não há dúvida de que toda a população poderia colher bons resultados com o simples fato de quem tem a caneta e o dinheiro nas mãos parar para ouvir aquelas pessoas que estudam o assunto de forma séria e verdadeira. Pouco adianta pintar a paisagem de verde e fazer de conta que isso resolve os verdadeiros problemas que assombram o futuro da humanidade. Temos motivos para acreditar que a propaganda é a alma de um negócio cada vez mais sem alma.

Mas tudo deve ser impressão minha. Tenho certeza de que essas pessoas iluminadas estão cuidando de nosso presente e de nosso futuro. Só espero que não seja da mesma forma que cuidaram de tudo isso no passado.

Deixo a COP30 de lado e passo para outro pensamento intrusivo...

***

Qual a lógica de as clínicas e consultórios dizerem para os pacientes que os médicos atenderão pelo sistema de horário marcado, se têm certeza de que não cumprirão o horário estipulado.

Pior ainda é o fato de pedirem que o paciente chegue com antecedência de aproximadamente meia hora. Ou seja, o paciente acaba sendo convidado a perder tempo antes e depois da consulta. E não se trata de um atraso de apenas alguns minutos. Hoje, esperei por uma hora e 20 minutos até descobrir que o “doutor” tinha acabado de chegar. Educadamente, dirigi-me à recepção, pedi o cancelamento da consulta e fui embora. Resultado: perdi meu precioso tempo e não consegui resolver o problema de saúde. Meus parabéns à atendente, dona de uma educação exemplar.

***

Outro pensamento invade minha cansada mente...

Olho para um lado e para o outro e vejo que muitas pessoas estão cada vez mais dependentes da chamada Inteligência Artificial. O professor – muitas vezes após recorrer à IA –  passa uma tarefa para os alunos, que, por sua vez, recorrem aos mesmos mecanismos para executarem a tarefa. Parece que algumas pessoas não conseguem mais raciocinar com o próprio cérebro.  Sem uma máquina por perto, o raciocínio entra em pane e cai em estado de profunda e incontornável letargia. Isso não deve ser visto como algo normal.

Ainda há os casos em que algumas pessoas decidem posar como intelectuais, chegando inclusive a pedir resumo de obras que depois são resenhadas como se tivessem sido lidas realmente. Pior que tem gente que acredita.

Não sou contra o uso da Inteligência Artificial, porém não posso deixar de ficar espantado quando ela é utilizada como uma fraude que visa disfarçar nossa natural incompetência.

Um detalhe: alguns vídeos criados com IA ficam tão realistas que muitas pessoas estão acreditando até que as vacas voam sobre um mosteiro.

***

Hora de descansar. Cedo tenho mais uma jornada de atividades. Obrigado pela paciência. Só espero que ninguém tenha recorrido à IA para resumir este breve texto. Mas não duvido!


domingo, 2 de novembro de 2025

OS DESLIMITES DO COMPARTILHAMENTO

 Novos artigos de segunda #54

Fonte da imagem: Arquivo do autor


Reproduzo hoje um artigo meu publicado há alguns anos no Jornal O Estado do Maranhão. O texto é antigo, mas o assunto é atual.


OS DESLIMITES DO COMPARTILHAMENTO

José Neres

📵

 

Hoje em dia, por questão de gosto, de modismo ou mesmo de necessidade, milhões de pessoas acessam os diversos aplicativos de comunicação instantânea a fim de enviar e receber notícias, manterem-se informadas ou mesmo como forma de entretenimento.

Os aparelhos de telefonia móvel, popularmente conhecidos como celular, há muito deixaram de exercer sua função primeira, e a cada nova versão que chega ao mercado, recebem mais funções. Rapidamente tornaram-se produto de primeira necessidade para muitas pessoas que têm a seu alcance, em um mesmo objeto, prático e funcional, ao mesmo tempo, agenda, rádio, TV, calculadora, editores de texto, câmera fotográfica, rádio, cronômetro, relógio, conversores de dados e uma infinidade de funções que tornaram os aparelhos uma extensão da casa, do escritório e até mesmo da vida sentimental.

Essa multiplicidade de funções elevou essa aparentemente simples máquina à categoria de objetos inteligentes. porém isso também parece ter limitado um pouco mais a própria capacidade humana de discernir sobre o que é ou não permitido dentro das relações pessoais e profissionais.

De repente, diante de tanta tecnologia e de tantas possibilidades de superar as barreiras do tempo e do espaço, o homem se vê perdido dentro das próprias escolhas sobre o que pode ser ou não adequado dentro das relações sociais cada vez mais fluidas. Um desses dilemas se relaciona com os cada vez mais populares aplicativos que permitem interação de textos, áudios e imagens entre grupos restritos de usuários, os chamados grupos de comunicação, que geralmente são administrados por um ou vários membros desses grupos.

A ideia básica dessas comunidades é permitir que todos os membros tenham acesso às informações que são compartilhadas, seja com finalidades lúdicas, seja com objetivos laborais ou educativos. No entanto, mesmo que em alguns desses grupos haja regras explícitas quanto ao que pode ou não ser postado, alguns usuários chegam a ultrapassar o limite do tolerável e se tornam inconvenientes por conta da falta de limites com relação ao que é dito e/ou compartilhado.

Munidos da ideia de que todos têm direito a expressar suas ideias, tais pessoas geralmente se esquecem de que seus direitos pessoais devem sempre fazer limite com os direitos dos próximos, pois ninguém é obrigado a compartilhar dos mesmos gostos e opiniões dos demais e até mesmo a noção de que é preciso aceitar as diferenças e ser tolerante com as atitudes alheias perdem sentido diante de algumas atitudes que merecem repreensão.

Se o cidadão ou cidadã aprecia ver cenas de estupros, decapitações, linchamentos, homicídios, sexo explícito, nudez, pedofilia, maus tratos a animais, correntes religiosas, violências em diversos níveis, acidentes, dissecação de cadáveres e imagens escatológicas deve lembrar-se de que há pessoas que não comungam do mesmo gosto e que devem ser respeitadas em seus direitos de não receberem tais vídeos, áudios e fotos. Em caso de compartilhamento em grupos criados especificamente para esses fins os únicos obstáculos são de origem legal, já que, pelo menos em teoria, todos os membros têm os mesmos objetivos.

Contudo não é muito agradável quando, ao acessar o ícone de um determinado grupo que tenha uma finalidade específica, a pessoa se depara com postagens que destoam do objetivo daquela comunidade. O que se percebe é que o bom senso parece não ter seguido a mesma linha de progresso que tiveram os aspectos tecnológicos. Desse modo algumas pessoas têm investido pesadamente na compra dos melhores aparelhos, mas não investiram no aprimoramento dos bons modos interpessoais.

Então, antes e postar ou compartilhar algo em qualquer um dos grupos dos quais fazemos parte, é importante mergulhar nas serenas águas do bom senso.

 


LINDA: UMA LINDA TRAJETÓRIA

 


Hoje é o dia do aniversário da professora, atriz e escritora Linda Barros. 

Para comemorar esse dia tão espacial, postamos abaixo sete poemas que trazem um pouco da vida pessoal e profissional dessa pessoa tão as querida.

Deixamos aqui os nossos parabéns.

LINDA: Uma linda trajetória 
José Neres 
🎁

I

Novembro… uma manhã tão linda e alva
Cercada de cores e de mil sons,
À despedida da Estrela D’alva…
Luzes despertaram os Pastos Bons.

Eram duas irmãs… Só uma se salva…
A outra os anjos levam… são esses os dons
Angelicais, sem levantar ressalva,
Mas dos que ficam alterando os tons.

Mas, quando a Vida ao Sofrimento trava,
Dores não se escondem nos edredons
Pois, armados de ferro, fogo e clava,

Lutamos para resgatar cupons
De uma cova que o mundo nos cava
Com a força de dez mil megatons.

II

E quando aquela criança nasceu
Nosso mundo grande crise vivia
A Liberdade o claustro conheceu
Tanta barriga chorava vazia!

Em sua terra as letras recebeu
Semeou no campo sua alegria
Recebeu aulas do padrinho seu:
“Seu” Granjeiro, rei em sabedoria…

Porém algo cedo ela percebeu:
Se ali ficasse, ela não cresceria…
O Pastos Bons que conheceu

Já quase nada se desenvolvia
Só então dentro dela floresceu
O desejo de sair dali um dia…

III

Nem sempre pôde fazer o que quis
Pra estudar, teve de deixar o interior 
Viajar sem poder criar raiz
E fazer do Destino seu senhor…

Passou temporada em Imperatriz -
Terra de mil sonhos, beleza e amor 
Depois mudou-se para São Luís -
Ilha-capital com todo louvor…

Sentiu da família a saudade, a dor.
Enfrentou diversas noites febris
Mas do mundo jamais sentiu rancor…

Sabia que pra um dia ser feliz
Devia conhecer o dissabor
Sem cair do salto como uma miss.

IV

Decidiu que professora seria
Foi estudar lá na Universidade
Para Letras/espanhol concorreria…
No curso demonstrou habilidade

Logo se destacou da maioria
Pelo esforço, pela amabilidade,
Também pela dose de simpatia
Pelos corredores da faculdade…

Ao defender sua monografia 
Demonstrou grande propriedade 
Ao falar sobre o que diferencia

Vários falsos cognatos de verdade.
A banca notou que ela merecia
Aplausos com toda sinceridade.

V

Depois de graduada se casou,
Começou uma especialização,
Em diversos lugares trabalhou 
Com bastante garra e dedicação.

Um dia uma notícia lhe alegrou:
Sua médica lhe disse “atenção,
Tudo aqui em seu exames indicou
Que você está em plena gestação.”

Então a todo mundo comunicou:
“Chamará Gabriel meu bebezão”...
Em pleno novembro mãe se tornou.

Mas filho não rima com solidão 
E a pequena e doce Laura chegou 
Para fazer companhia a seu irmão.

VI

Agora, mãe, formada e concursada,
Faltava alguns sonhos realizar…
Sua arte não pôde ser represada,
Nos palcos ela decidiu estrear.

Mas não agiu de forma estabanada,
Dança e teatro ela foi estudar
Em mil cursos que fez, apaixonada,
Para na arte da Arte se aprofundar.

Com aquela linguagem dominada,
Agora, sim, ia representar.
Para o palco e pra tela foi chamada

A fim de novos trabalhos mostrar
Em peças e filmes foi aclamada,
Em papel de vilã ou moça do lar.

VII

De repente, ela estava em toda parte,
Publicando suas “Palavras ao Vento”,
Nos Espelhos espelhando sua arte,
Fazendo riso rimar com tormento…

Na Academia Poética comparte
Suas crônicas e seus pensamentos,
Conquista uma cadeira na Atheart,
Transforma em versos seus vivos momentos.

Um bolo novamente ela reparte,
Em sempre ensaiados movimentos,
Fazendo do riso belo estandarte 

Eivando seus gestos de encantamentos 
Exigindo um nada de contraparte
Em olhos azuis de agradecimentos.



MEUS ESTIMADOS ALUNOS

 Novos artigos de segunda #63 Fonte da imagem: arquivo do autor    MEUS ESTIMADOS ALUNOS José Neres  Foi exatamente no dia 1⁰ de abril de 19...