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domingo, 7 de dezembro de 2025

APENAS REFLEXÕES

 Novos artigos de segunda #59

 

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE ALGUMAS COISAS

(José Neres)

 

ÉTICA (?)

 

A semana foi bastante movimentada. Participei de diversos eventos, mas, por questão de lógica, acabei perdendo muitos outros. Um dos momentos de que participei foi o lançamento do novo livro de Bioque Mesito – mais uma bela produção que comentarei em outra ocasião.

Gosto muito de participar dos lançamentos dos amigos. É uma forma de agradecer por tanto carinho que recebo. É também uma oportunidade de reencontrar pessoas queridas. Nesse caso específico, reencontrei os poetas Natan Campos e Hagamenon de Jesus. Conversa vai, conversa vem e acabamos chegando (não me perguntem como!) à questão do uso das chamadas Inteligências Artificiais na produção de textos literários.

Nós três chegamos à conclusão (que pode inclusive estar errada) de que as IAs podem até produzir textos tecnicamente bons, contudo não conseguem colocar nesses textos a “alma” do poeta, do contista, do cronista ou do romancista. Mas há muitas pessoas que não se importam com isso e já estão na onda de assinar poemas, contos, peças teatrais, romances, artigos... dos quais não escreveram uma única linha.

Discutimos também a ideia de que já deve haver dissertações de mestrado e até teses de doutorado parcial ou totalmente escritas com a ajuda da Inteligência Artificial. Como quando essas três pessoas se juntam a ironia marca o ritmo da conversa, começamos a imaginar um texto acadêmico elaborado por uma IA, porém assinado por um ser humano. E não é que esse texto imaginado seria sobre ética? Até imaginamos um título genérico: A importância da ética na produção acadêmica.

Não duvidamos que tal texto já esteja inclusive publicado e repetidamente citado nas esferas eticamente acadêmicas!!!

 

ANA JANSEN E DAMIÃO

 


Há alguns meses, fui informado de que haveria um grande evento para comemorar os 50 anos da publicação de Os Tambores de São Luís, obra-prima de Josué Montello. Durante uma reunião com a diretora da Casa de Cultura Josué Montello, a queridíssima Joseane Souza, surgiu a ideia de fazermos um esquete teatral inspirado do livro.

Gosto de desafios. Seria um monólogo de com duração de aproximadamente 10 minutos e que representasse o encontro entre Damião, o protagonista do romance, e Ana Jansen, uma das mais poderosas mulheres do século XIX. A escritora, professora e atriz Linda Barros se propôs a viver a personagem no palco na noite do lançamento do livro.

Sem nenhum sacrifício, reli o livro. Nele, o encontro entre essas personagens é algo breve e marcante. Que fazer então? A ideia foi reutilizar a cena descrita por Montello com elementos que já haviam sido indicados em outros momentos da obra. Damião, o invisibilizado professor negro do livro, deveria ter sua imagem construída na mente da plateia, sem a necessidade de um ator em cena. O mesmo deveria acontecer com as meninas escravizadas que serviam à matrona maranhense. O monólogo respeitaria o tom sério da obra, mas teria um aspecto mais ácido.

Foi dessa forma que surgiu “O Encontro”, breve monólogo que faz a plateia imaginar como seriam a dor e a humilhação pelas quais passavam os escravizados em nosso Brasil.

Deixei a cargo da atriz a caracterização da personagem, o figurino e o cenário. O que ela tem feito muito bem nas apresentações.

A peça já foi representada em diversos eventos de São Luís, em Viana, Itapecuru e Alcântara, sempre com uma boa recepção.

Ah, naquela reunião, a amiga e bibliotecária Wanda Sousa deu uma outra sugestão que vem amadurecendo e em breve pode estar nos palcos.

Aguardemos.

 

MUDANÇA DE PENSAMENTO

 

Até bem pouco tempo, eu me esquivava de toda qualquer manifestação de pessoas e instituições que resolvessem prestar algum tipo de homenagem à minha pessoa.

A primeira ideia que vinha à minha mente era: Não mereço essa homenagem.

Confesso que continuo achando que não mereço mesmo tais homenagens. Porém, em uma conversa com o jornalista, escritor e amigo Mhario Lincoln, comecei a repensar essas atitudes.

Percebi que minha recusa poderia ser decepcionante para uma pessoa que admira minha pessoa e/ou meu trabalho.

Vejam só: alguém que às vezes nem conheço direito gasta sua energia, seu tempo e até seu dinheiro para demonstrar seu carinho e na hora H eu acabo sendo o sujeito e o objeto da decepção de uma pessoa que deveria merecer meus aplausos e que tudo o que deseja é minha simples presença.

Minha timidez e minha teimosia não podem servir como desculpa para destruir um momento de felicidade alheia. Então, mesmo continuando vestido com as vestes da humildade, tenho tentado ser mais humano com as pessoas que demonstram algum tipo de carinho por mim.

Só falta agora eu conseguir convencer alguns amigos que recusam até mesmo um mero "parabéns".

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

CONECT@DOS - E-BOOK

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