Novos Artigos de Segunda #61
💻UMA VIDA FEITA DE PROJETOS ⌚
José Neres
Temos tempo para quase nada. Parece que as
horas correm e, quando chegamos ao final do dia, ficamos com a sensação de quase
nada foi feito. Mas é só impressão mesmo. Se pararmos para refletir, perceberemos
que muitas ações foram realizadas, que contribuímos para que a grande
engrenagem do mundo continue em seu curso diário.
Além de escrever o texto semanal (nossa,
já chegamos a 61ª semana! Contando também com as 51 do site Região Tocantina, são 112
semanas praticamente ininterruptas de textos postados), de ministrar minhas
aulas, de elaborar e corrigir provas, de ler (uma das minhas grandes paixões),
de fazer minhas caminhadas e de participar de intermináveis reuniões, ainda
encontro tempo para viver alguns momentos especiais.
Como a vida é feita de projetos, comento
brevemente a seguir alguns desses projetos dos quais tomei conhecimento e que,
de alguma forma, passaram a fazer parte de minha vida.
UM PROJETO CULTURAL
A convite da professora Kelma Marília,
participei da culminância de um projeto pedagógico-cultural realizado pela
Escola Militar 02 de julho, em São José de Ribamar.
Tive a honra de ser homenageado – juntamente
com os escritores Antônio Miranda (em memória), Roberto Paixão, Raimunda Frazão
e Andrea Silva – pela turma do sexto ano da Escola. Foi muito bom ver de perto
o desenvolvimento de garotos e garotas que dedicaram parte de seu tempo a pesquisar
sobre a vida e a obra de escritores nascidos ou residentes em São José de Ribamar.
Foi um momento de festa e de alegria. Os alunos
apresentaram seus trabalhos, fizeram perguntas, interagiram com o público
presente, vivenciaram o orgulho que emanava do olhar de seus pais, colegas,
professores e amigos. E, sem dúvida, conseguiram ótimas notas.
Gostei bastante do clima da escola e da
acolhida tanto dos alunos quanto do corpo diretivo. Recepção de primeira. Meus
parabéns!!!
UM PROJETO DE DOUTORADO
Em outro momento, participei, virtualmente, da defesa de projeto de doutoramento do amigo, colega e ex-aluno Mauro Cezar Borges
Vieira, que, diante de sua orientadora (professora Márcia Manir Miguel Feitora)
e da banca formada pelos professores doutores Silvana Maria Pantoja dos Santos
e José Ribamar Ferreira Junior, defendeu o projeto intitulado “A construção da
identidade literária maranhense na escrita de si de Humberto de Campos, Josué Montello
e Ferreira Gullar”.
Desde os tempos da antiga Faculdade Santa
Fé, instituição na qual fez seu curso de graduação em Letras, Mauro Cezar já
demonstrava grande pendor para a pesquisa. Foi um aluno atento e dedicado e,
sempre vestido com o manto da curiosidade acadêmica e com a capa do interesse
pelos estudos relativos à linguagem, vem conseguindo alcançar seus objetivos e
tem tudo para se tornar um dos grandes nomes de nossos estudos literários, além
de ser também um ficcionista de talento.
Vez ou outra vejo estudantes da
pós-graduação implorando para que apenas a banca examinadora assista à defesa de
seus trabalhos. Acredito que todas as defesas nas universidades públicas
deveriam ser abertas à comunidade, pois são resultantes de investimentos públicos,
e não é justo que os financiadores indiretos – os pagadores de impostos – não
tenham acesso a um conhecimento que deve ser universalizado e compartilhado com
as pessoas que tenham interesse pelo assunto. Afinal, qual é mesmo a utilidade
de uma pesquisa que, depois de defendida, ficará disponível apenas em um
repositório institucional e na gaveta de seu autor?
Dada a gentileza de Mauro em compartilhar
o link da apresentação, fiz questão de assistir ao evento e aplaudir o brevemente
futuro doutor Mauro Cezar Borges Vieira e de parabenizá-lo pelo seu desempenho e por sua sensatez
diante da excelente e cordata banca examinadora.
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| Print da tela da sala virtual - Fonte: Arquivo do Autor |
O RESULTADO DE UM PROJETO
Ainda com relação à necessidade de que os
resultados dos investimentos públicos em educação, inovação, cultura e ciências
sejam divulgados para a comunidade, recebi com muito agrado o e-book intitulado
“Maranhão em versos: uma análise da produção literária poética modernista
publicada no Suplemento Cultural do Jornal Diário de S. Luiz no período de 1948
a 1949”, produzido pela professora doutora Natércia Moraes Garrido e sua
ex-bolsista de iniciação científica Sabrina Karine dos Santos Pereira.
Com um olhar analítico bastante apurado,
as autoras fazem o resgate da produção poética publicada no importante Suplemento
Cultural supracitado. Ao ler o resultado da pesquisa, o leitor entra em contato
com poemas de Almeida Galhardo, Reginaldo Telles, Sá Vale Filho, Nascimento
Morais Filho, Ferreira Gullar, Dagmar Desterro, Tobia Pinheiro Filho, Myrlia de
Alencar, Nelson Borges e Lago Burnett, tudo com breves referências biográficas,
contextualização histórica e análise dos poemas.
Trata-se de um trabalho importante para
pesquisadores e para a comunidade acadêmica, pois coloca novas luzes em um
período literário que não é tão estudado e serve como diretriz para novas
investigações sobre o assunto.
Bom seria se os resultados todos os projetos de iniciação científica chegassem à população como um todo e não ficassem sepultados nos ladrilhos de uma sala fechada para poucos aquinhoados que tiveram a sorte de presenciarem o Seminário Final da pesquisa.


Trouxe-nos um artigo inspirador. Suas atividades profissionais são plenas no seu ramo tão bem escolhido.
ResponderExcluirConcordo que a apresentação das defesas acadêmicas poderiam ser melhor divulgadas e públicas.
Que alegria saber dos trabalhos da querida Natércia.
Obrigado, querida!
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