A GRANDE ILUSÃO
José Neres
Todo castelo tombará em ruína
À chegada da sua triste hora
Todo mundo cumprirá sua sina,
Que nunca se atrasa, nunca demora.
À chegada da sua triste hora
Todo mundo cumprirá sua sina,
Que nunca se atrasa, nunca demora.
A Morte nos espreita em cada esquina.
De nossa vida se torna senhora.
Seja um homem, mulher, velho ou menina,
Qualquer dia ela nos levará embora…
De nossa vida se torna senhora.
Seja um homem, mulher, velho ou menina,
Qualquer dia ela nos levará embora…
Então, se nossa vida é pequenina,
Se é um líquido que cedo evapora,
Se é cárie doendo em presa canina,
Se é um líquido que cedo evapora,
Se é cárie doendo em presa canina,
Se é carne podre na manhã do agora,
Pra que alimentar em nossa rotina
Tola ilusão de viver tempo afora?
Pra que alimentar em nossa rotina
Tola ilusão de viver tempo afora?

Ah José Neres, parece que assim será. Tem corpo e tem alma. De alguma forma tudo voltara.
ResponderExcluirParabéns, Neres!
ResponderExcluirÉ uma meditação poderosa e direta sobre a finitude humana. O poema se insere em uma longa tradição literária — que remonta ao Barroco e ao conceito de memento mori — mas o faz com uma linguagem crua e imagens que fogem do sentimentalismo barato.
Diante dessa brevidade, deixo a questão filosófica: se tudo é efêmero, o que realmente importa fazermos nesta vida?
Abraços!
Habita em nós o sentimento de eternidade.
ResponderExcluirMas o efêmero de fato se apresenta e seu belíssimo texto de cunho existencialista evidencia isto.
Parabéns, grande Neres!
Continuar vivendo, apesar de tudo...
ResponderExcluirMuito profundo. A reflexão sobre o nosso fim precisa ser constante para que aos poucos possamos ir desapegando das coisas desse mundo, afinal, "tudo o que é sólido desmancha no ar".
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