domingo, 8 de fevereiro de 2026

A GRANDE ILUSÃO



A GRANDE ILUSÃO 

José Neres 


Todo castelo tombará em ruína 
À chegada da sua triste hora
Todo mundo cumprirá sua sina,
Que nunca se atrasa, nunca demora.
A Morte nos espreita em cada esquina.
De nossa vida se torna senhora.
Seja um homem, mulher, velho ou menina, 
Qualquer dia ela nos levará embora…
Então, se nossa vida é pequenina,
Se é um líquido que cedo evapora,
Se é cárie doendo em presa canina,
Se é carne podre na manhã do agora,
           Pra que alimentar em nossa rotina 
           Tola ilusão de viver tempo afora?



5 comentários:

  1. Ah José Neres, parece que assim será. Tem corpo e tem alma. De alguma forma tudo voltara.

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  2. Parabéns, Neres!

    É uma meditação poderosa e direta sobre a finitude humana. O poema se insere em uma longa tradição literária — que remonta ao Barroco e ao conceito de memento mori — mas o faz com uma linguagem crua e imagens que fogem do sentimentalismo barato.

    Diante dessa brevidade, deixo a questão filosófica: se tudo é efêmero, o que realmente importa fazermos nesta vida?

    Abraços!

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  3. Habita em nós o sentimento de eternidade.
    Mas o efêmero de fato se apresenta e seu belíssimo texto de cunho existencialista evidencia isto.
    Parabéns, grande Neres!

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  4. Muito profundo. A reflexão sobre o nosso fim precisa ser constante para que aos poucos possamos ir desapegando das coisas desse mundo, afinal, "tudo o que é sólido desmancha no ar".

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A GRANDE ILUSÃO

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