NOVOS
ARTIGOS DE SEGUNDA #04
TUDO PASSA...
José Neres
Tchau!
Até
Logo!
Adeus!
Não te
aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verás, só de cinza franzida,
mortas intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos,
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que me vão lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
Mas, voltando às despedidas, somos seres etéreos dentro de uma ilusão de perenidade. Um dia estamos aqui, dias depois estamos ali, e um dia estaremos longe daqueles que amamos, daqueles a quem admiramos, daqueles que queríamos que fossem eternos. Mas se nem a saudade é eterna, que dizer das pessoas. Somos “nuvem passageira” vagando em um infinito céu...
Todos os dias, ocupamos lugares deixados por alguém, sentamo-nos em cadeiras que já foram ocupadas por tantas outras pessoas que talvez nem mesmo estejam neste mundo terrenos. Porém, em nosso tolo egoísmo, pensamos que somos os primeiros e até últimos a estar em algum lugar, a falar determinada frase, a amar, a ser amado, a odiar, a ser odiado... Mas, na verdade, estamos sempre em um ato de despedida. Até que a despedida se torne definitiva. Até que o “adeus” tome o lugar do “tchau” e do “até logo”. Estamos preparados para isso?
Nem sempre.
Nem sempre. Sempre queremos ficar um pouco mais. Nem que seja um pouquinho
mais. Também queremos que nossos entes queridos permaneçam mais tempo conosco.
Mas como cantava, com sua potente voz, o magistral Nelson Ned, “tudo passa,
tudo passará e nada fica, nada ficará...” resta saber quando. Ou melhor, é bom
nem saber quando...
Fica
então o consolo de saber que assim como os bons momentos passam, os maus também
passarão. Também um dia se tornarão apenas uma vaga lembrança em um resquício de
memória...
Então o
que fazer enquanto a despedida final não vem? Difícil responder...
Mas que
tal aproveitar os momentos presentes. Dar e receber aquele abraço carinhoso? Retribuir
aquele sorriso singelo? Dizer eu te amo para as pessoas amadas? Fazer o bem até
para quem achamos que não merece? Utópico? Claro que sim. Mas como um dia talvez
nem tenhamos chance de dizer “adeus!”, as birras de hoje serão apenas um
detalhe de um passado que nem deveria acontecer.
Claro que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há”. Pois, depois do adeus definitivo, os versos de Raul Seixas – “tente outra vez” – Não terão mais a menor chance de aplicabilidade. Então... Carpe Diem... Se tudo passará, deixemos para o futuro pelo menos nossos bons exemplos.

Nobre poeta José Neres, você sempre grandioso em suas produções. Maravilhosa!
ResponderExcluirObrigado, caro amigo. Sempre gentil em suas palavras.
ExcluirÉ sempre bom, após as despedidas, um dia, reencontrar alguém que nos faça sentir a euforia de uma época maravilhosa já vivida...Um Salve ao pretérito imperfeito do indicativo do que foi bom.
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