Novos artigos de segunda #62
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| Fonte: Arquivo do autor |
ANOTAÇÕES SOBRE A DUQUESA
José Neres
Ontem, fiz uma postagem em uma rede social anunciando que iniciava a leitura do romance “A Duquesa vale uma missa”, de José Sarney. No final do texto, anunciei que brevemente faria alguns comentários sobre o livro.
Li o texto em pequenos fôlegos nos intervalos entre os afazeres de um professor sempre ocupado com o ofício. Como é um livro relativamente curto e que proporciona uma leitura rápida e agradável, terminei-o hoje no finalzinho da noite.
Particularmente, gostei da narrativa. De modo bem superficial, poderíamos dizer que o mote do livro é a narração em primeira pessoa de um homem chamado Leonardo que, desde a adolescência se viu apaixonado pela mulher pintada em uma misteriosa tela que está guardada na biblioteca de seu pai.
Com o falecimento do genitor, começa a divisão da herança. No meio dos espólios está aquele quadro tão belo e enigmático. Será que Leonardo conseguirá se apossar do quadro? Como será dividida a herança? Será que a sensual bancária chamada Tecla (uma sutil brincadeira com a palavra tela) teve realmente um caso com o chefe da família? Qual será a história daquela bela mulher que está presa naquela pintura há séculos?
As muitas doses de mistério que atravessam a narrativa são propositais. Assim também como propositais são as inúmeras lições de História da Arte de Direito da Família, de técnicas de pesquisa e de relações humanas que atravessam as páginas do livro.
Mas não se trata de um livro de erudição forçada e insossa. O autor soube mesclar com maestria os momentos de mistério, de suspense, de erotismo e de mergulhos na mente atormentada do protagonista.
A escolha pela primeira pessoa dá um sabor especial à história. O narrador é um ser instável, voluntarioso, cheio de obsessões e que tenta levar o leitor a acreditar em seu mundo cheio de devaneios. Ele quer nos convencer que sua fantasia está ancorada em uma realidade inconteste e não aceita ser questionado. Imerso em um mundo particular, Leonardo - também chamado de Leo ao longo da história -representa a simbologia do homem que não se desvencilhou da adolescência e sua consulta com a psicóloga mais o adoece do que o prepara para a vida - momento ímpar do livro!
“A Duquesa vale uma missa” é um livro de leitura agradável e que, embora não apresente a densidade narrativa e a minuciosa construção estética de “Saraminda” e nem os elementos praticamente épicos de “O dono do mar”, demonstra o talento ficcional de seu autor e deixa no ar alguns questionamentos acerca dos limites entre a sanidade e a loucura.
Se você gosta de arte, mistério, sensualidade e aventura, esteja certo de que a Duquesa realmente vale uma boa leitura.

Obrigada pela indicação. Pelas suas explicações acredito que tem potencial para ser uma boa leitura.
ResponderExcluirBoa tarde! Vale a pena a leitura. Obrigado pelo comentário!
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