CONTO: DEVER DE CASA
(José Neres)
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| Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial |
- Vô, qual é a capital da Bahia?
- Salvador, garoto.
- Muito obrigado.
- Agora tem esse dever aqui de matemática que não consegui resolver sozinho. Pode me ajudar?
- Claro. O que está pedindo na questão?
- Vou ler para o senhor: Se uma pessoa nasceu em 1960, quantos anos ela completou em 2022? Achei difícil.
- Você já estudou subtração na escola?
- Sim, mas achei muito difícil.
- Não é tão difícil assim. Qual é o número maior?
- 2022.
- Muito bem. E qual o número menor?
- Humm. 1960.
- Isso. Então, basta você subtrair o número menor do número maior. Veja bem. 2022 menos 1960. Já sabe armar a conta?
- Sim, vovô. Já sei. Veja se é bem assim?
- Muito bem. Agora faça a continha [silêncio] Qual a resposta?
- Aqui. Sessenta e dois anos. Certo?
- Certíssimo. Parabéns! Só isso?
- Sim, vovô querido. O senhor já vai? Quando o senhor volta?
- Já vou, rapazinho. Preciso ir. Volto quando você precisar de mim e me chamar. Mas não conte para sua mãe que eu ajudei você na lição de casa. Ela não gosta. Da última vez, ficou zangada.
- Tá bom. Tchau, vovô! Amo o senhor.
- Tchau.
***
Que bom que tenho o vovô para me ajudar com o dever de casa. Ele sabe tudo. É um gênio. A professora disse que eu melhorei bastante neste ano com as aulas dele. Pena que mamãe não gosta quando ele vem me ajudar. Quando eu falei para ela, ela até ficou zangada comigo. Disse que eu era mentiroso. Fiquei triste. Mas acho que estava muito cansada. Melhor mesmo não contar para mamãe. Ela tem trabalhado tanto que até mesmo pensa e acredita que vovô morreu bem antes de eu nascer.

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