domingo, 17 de maio de 2026

18 DE MAIO

 Novos artigos de segunda #84


Reprodução de página de jornal da época 



18 DE MAIO 
José Neres 

A maldade jamais dará uma trégua 
Neste mundo tão cheio de terror.
Ela foi pra escola com muito amor,
Levando seu lápis, caderno e régua.

Jamais saberia a menina-flor
Que aquele dia seria fatal
Que chegava seu momento final
Que o último grito seria de dor.

Ela foi vítima do instinto animal
De monstros sem sombra de coração 
Que a mataram por pura diversão.

Ela era só uma criança normal,
Pura e de belo rosto angelical…
Que ninguém passe por isso mais não!


PARA NAO ESQUECER

O soneto acima foi escrito para relembrar um dos crimes mais cruéis que nosso Brasil vivenciou e que fez questão de tratar como se fosse apenas um caso policial: a morte de Araceli Cabreira Sánchez Crespo, a menina de apenas oito anos que foi drogada, violentada e morta por rapazes da alta sociedade de Vitória, no Espírito Santo.

Não irei entrar aqui em detalhes, pois praticamente toda a história, inclusive com imagens, está disponível em diversas páginas eletrônicas e já serviu de base para diversas reportagens e estudos acadêmicos. Mas não posso deixar de dizer que, no final das contas, o poder financeiro, as influências políticas e o jogo de interesses acabaram prevalecendo e os culpados acabaram servindo como exemplo de impunidade. 

Desde quando o corpo da menina foi encontrado, seis dias após seu desaparecimento, o Caso Araceli vem chamando a atenção das pessoas, causando comoção e dividindo opiniões. Porém, como quase sempre ocorre, a macabra história que se esconde por trás do Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes acabou sendo eclipsada por uma série de absurdos judiciais e por outros acontecimentos também bárbaros.

Esse trágico acontecimento foi investigado pelo escritor e jornalista maranhense José Louzeiro (1932-2017) e deu origem ao romance-reportagem Aracelli, meu amor, publicado em 1976 e que logo depois foi censurado por trazer informações que abalavam os subterrâneos do poder político e econômico. Segundo Louzeiro, diversas outras pessoas que decidiram investigar o Caso Araceli faleceram misteriosamente ou foram vítimas de atentados, inclusive ele mesmo. 
Atualmente o livro Araceli, meu amor pode ser encontrado tanto em suporte físico quanto no digital.

No final da década de 1970, o jornalista investigativo Carlos Alberto Luppi (1950-2014) publicou Araceli: corrupção em sociedade, no qual discorreu sobre os desvios de conduta que levaram à ocultação de provas que poderiam incriminar os assassinos.

Em 2021, o jornalista Gabriel Barros Neres publicou o livro Jornalismo literário: uma análise do livro “Araceli, meu amor”, de José Louzeiro, no qual, além de estudar as interseções entre literatura e jornalismo, disseca o Caso Araceli a partir do romance publicado por Louzeiro.

Mais recentemente,  em 2023, o jornalista Felipe Quintino e a professora, tradutora e Jornalista Katilaine Chagas publicaram O Caso Araceli: Mistérios, abusos e impunidade, no qual fazem um mergulho nas diversas nuances desse crime que jamais deveria cair no esquecimento.

Então, apesar de ser uma data triste, o 18 de maio acabou deixando algumas lições para a proteção de nossas crianças e adolescentes
.

Araceli vive na memória de quem luta por justiça!

Reprodução da capa do livro de Gabriel Barros Neres 



2 comentários:

  1. Uma história muito triste e impactante ,que viva por meio da luta dos que não se calam e defendem os direitos das crianças e adolescentes.

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  2. Os humanos são capazes de absurdos inimagináveis, e o tema segue ainda atual.

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18 DE MAIO

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