Novos artigos de segunda #81

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial
É RIDÍCULO, MAS…
(José Neres)
1
Em muitas salas de aula, o professor precisa negociar com os alunos os minutos de aula que serão ministrados, caso contrário, nem mesmo a chamada ele (ela) conseguirá fazer.
“Vamos fazer o seguinte, eu falo uns quinze minutos. Depois vocês fazem a tarefa, me entregam e então estão liberados. Só não pode. É fazer muito barulho, para a supervisão não aparecer por aqui, certo?”
2
A docência é uma área desvalorizada em 360⁰. Alunos, pais, gestores públicos, políticos e até mesmo os próprios colegas de profissão contribuem cotidianamente para essa desvalorização. E não se trata apenas dos salários, que quase sempre estão bem abaixo daqueles que são pagos para outros profissionais com estudos de nível superior, mas também de uma desvalorização do trabalho executado e uma sobrecarga de atividades burocráticas pouco ou nada relacionadas com o processo educacional.
3
Atrelar um pagamento mensal à simples presença do aluno em sala de aula, sem a contrapartida de uma aprendizagem mínima, não foi uma boa ideia.
Hoje, os professores se deparam com uma sala de aula lotada de corpos sem alma, que vislumbram apenas a quantia que deverá cair na conta no próximo mês. Estudar e aprender não fazem parte das prioridades.
Claro que existem alunos que precisam dessa quantia e que até mereceriam bem mais, contudo, a falta de critérios ligados à produtividade acaba prejudicando boa parte do processo.
4
Alguém (com uma inteligência suprema e que provavelmente nunca ministrou uma aula) decidiu que as metas de aprovação são mais importantes que as metas de aprendizagem. Dessa forma, a certeza de que será aprovado mesmo sem ter adquirido os conhecimentos básicos oferece a segurança necessária para que um estudante se torne apenas um frequentador de sala de aula (e quando quiser!). Direitos sem deveres podem se tornar um salvo conduto para a apatia de quem já não acreditava no poder transformador da Educação.
5
Não tenho visto projetos educacionais e políticas públicas que realmente visem à melhoria do processo de aprendizagem e ensino. Tudo é tão superficial, sem base científica e sem continuidade que assusta.
Vivemos em paradoxo: quem tem ideia e pode fazer a diferença não tem poder. Quem está bom poder não demonstra habilidade, vontade e competência para mudar a rota antes que o fundo do poço se aproxime de modo definitivo.
Real, triste e gravíssima realidade, caro amigo e Professor! O trágico de tudo isso é que a conta chega!!!
ResponderExcluirCreio que essa conta já chegou e já a estamos pagando, com juros.
ExcluirOlá, amigo José Neres.
ResponderExcluirEducar pessoas requer uma grande força de vontade.Vivem dizendo que educação é um direito e esquecem de informar que não é religião, que não basta ficar só com títulos, tem que saber fazer.
Com um sistema interessado em quantidade, afastando a dedicação, nada se espera. Várias empresas já sabem dessa triste mentira. Já sabem, receber pessoas formadas que não sabem o que deveriam saber. Então pra que se paga tanto imposto? Recebem o diplomado e novamente gastam em verdadeira educação. Ainda os empresários são tratados como vilões, mas digo que são como heróis lutando para suatentar esse país.
Fala-se tanto em políticos, os jornais, praticamente, só têm isso. Sempre desacam os políticos. Falam bem e falam mal, os amigos estão estão sempre em alta.
Concordo, Ana Maria. Infelizmente, o problema tende a piorar.
ExcluirUm cenário que não muda. Governo após governo, seja de que matriz ideológica for.
ResponderExcluirInfelizmente é uma verdade, amigo Rogério!
ExcluirVocê trouxe uma questão muito pertinente, caro Neres. Infelizmente, no Brasil, o professor acaba sendo responsabilizado por todas as mazelas da educação. Nossa categoria está se tornando, na prática, uma profissão de risco, dados os constantes episódios de violência sofridos em sala de aula.
ResponderExcluirNo final, Augusto, para alívio de muitos, tudo acaba se do culpa dos professores!
ExcluirNo final, Augusto, para alívio de muitos, tudo acaba se do culpa dos professores!
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