sábado, 4 de outubro de 2025
SANTA INÊS E PINDARÉ
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
30 HAI-CAIS
I - INSPIRAÇÃO
(Para Marcos Fábio Belo Matos)
Do aroma da rosa
Um dia algo principia
Daí nasce a prosa.
II - DISFAGIA
(Para Silvana Meneses)
O sabor da menta
Dessabe na boca que abre…
Mas não alimenta…
III - DESCUIDO
(Para Antonio Ailton)
Só sobrou um retalho
Da maçã.. pela manhã,
Tudo é ato falho.
IV - COLHEITA
(Para Laura Amélia Damous)
Minha primavera
Se constrói só no que dói
Sou fruto da espera…
V - NATUREZA MORTA
(Para Natan Campos)
Na mesa, um limão…
Nas crianças, a esperança…
Eu, sem solução…
VI - CARPE DIEM
(Para Dino Cavalcante)
A flor do alecrim
Nessa idade traz saudade
Só falta eu em mim.
VII - PAISAGEM
(Para Linda Barros)
Um jardim sem flor
Me mina e me contamina
É cura com dor…
VIII - INFINITUDE
(Para Bioque Mesito e Nara)
Paixão se escancara
Se na vida está envolvida
Uma doce Nara.
IX - PARADOXO
(Para Ceres Costa Fernandes)
Que situação!
Em um mundo tão imundo
Bate bom coração!
X - TREINAMENTO
(Para Luiza Cantanhêde)
No seio da terra
A saúva traça a curva
Onde a dor enterra.
XI - AMPULHETA
(Para Paulo Rodrigues)
Todo rio corre
Para no mar desaguar…
Nosso tempo escorre…
XII - PASSAGEM
(A Viriato Gaspar, em memória)
A vida foi ato
Pelo ir e pelo vir…
É mais que retrato…
sábado, 20 de setembro de 2025
UM TESOURO ESQUECIDO
Novos artigos de segunda #50
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| Fonte da imagem: internet |
ELY CARLOS - UM TESOURO ESQUECIDO
José Neres
O Começo…
Há cerca de um ano, postei aqui neste blog um artigo comentando sobre aquelas músicas que teimam em invadir nossa mente (leia aqui o artigo) e que nos acompanham por todos os lugares, mesmo contra a nossa vontade.
Volto, então, para um passado muito mais distante que alguns meses. De repente, vejo-me criança, com uns oito anos de idade, em Brasília, esperando o retorno de meu padrinho e pai de criação, que, pelo uma vez por mês trazia para nossa casa um LP (os leitores mais jovens talvez tenham dificuldade para compreender isso) e algum livro.
Mesmo distante de minha terra natal, sempre estive ligado a ela pela música de nossos artistas e pelas palavras de nossos escritores.
Devia ser 1978 ou 1979 quando meu Padrinho chegou com o disco de um cantor e compositor maranhense. Com apenas quatro faixas, o compact disc saltou da embalagem e começou a rodar no aparelho de som. Algumas músicas eram mais românticas e uma delas era mais ritmada, com uma letra bastante interessante e que desde aquela época vez ou outra sai do subconsciente e passa a me acompanhar em alguns momentos de reflexão. Na capa do disco estava estampada uma foto do autor e seu nome Ely Carlos.
As Buscas
Confesso que desde que voltei para minha terra tenho procurado alguma informação sobre esse cantor, mas parece que até mesmo as pessoas que trabalham com música (pelo menos as com quem conversei) haviam esquecido dele. Cheguei mesmo a acreditar que aquelas músicas que martelavam minhas memórias de infância eram fruto de minha imaginação.
Hoje pela manhã, aquela letra voltou à minha mente:
Mamãe, eu quero, eu quero
Viver meu sonho infantil
Cantar com a juventude
O progresso do Brasil…
Logo depois, outros versos pediram passagem e começaram a ecoar:
Meu bem, minha linda flor,
Vives à espera de alguém
Que não gosta de ti
E nem te quer bem
Enquanto esperas por ele
Eu vou caminhando
À procura de alguém…
Não sei o que pensar de mim
Porque me maltratas assim
Se o meu coração é só teu
E de mais ninguém…
Claro que a letra pode estar incorreta, pois saltou das memórias de criança para a consciência de um adulto já cansado de tantos anos de trabalho. Mas fica assim mesmo.
A Inquietude
Chegando a minha casa comecei a vasculhar a internet em busca de informações sobre o autor. Nada. Convoquei as diversas Inteligências Artificiais que agora povoam nosso cotidiano e elas declararam que eu poderia ter-me equivocado quanto ao nome ou quanto à letra da música procurada, pois se tratava de um tema muito revisitado ao longo do tempo.
Não desisti. Refinei a busca consegui localizar a capa do livro, algumas músicas do cantor, um canal de vídeos do próprio artista, outro da esposa do cantor, uma homenagem feita para ele em uma emissora de rádio em 2014 e algumas informações biográficas.
Não era minha imaginação. Aquele cantor e aquela música agora estavam ali diante de mim.
Quem é Ely Carlos?
Filho do casal Serapião Marcelo Santos e Helena Machado Santos, Elisabeto Machado dos Santos nasceu em São Luís, em 04 de julho de 1947, estudou na Escola Luiz Viana e desde a juventude demonstrou muito interesse pela música. Ainda bastante Jovem, adotou o nome artístico de Ely Carlos e participou da Banda M Som 7, com a qual viajou por praticamente todos os municípios maranhenses, principalmente durante o período carnavalesco. Fez parte também da Banda Os Intocáveis e depois investiu na carreira solo, percorrendo diversos estados do Brasil. Casou-se com Maria do Espirito Santo Reis dos Santos, com quem teve dois filhos: Diego e Dayse. Gravou diversos discos e fez bastante sucesso se apresentando nos principais clubes da capital maranhense e em muitas cidades interioranas.
Seu trabalho de maior sucesso foi possivelmente a canção “Progresso do Brasil”, (composição de Ely Carlos, Carlos Endrigo e Nelson Coelho) na qual - em uma mescla de forró, carimbó e Soul Music - faz um périplo musical por vários estados, desmistificando poeticamente alguns estereótipos sobre a população dos lugares citados e mostrando a riqueza cultural do País.
Os Múltiplos estilos do Cantor
Dono de uma voz tranquila, melodiosa e potente ao mesmo tempo, Ely Carlos, além de bom intérprete é também um criativo compositor. Ao longo de sua carreira, ele passeou por diversos ritmos e estilos musicais. É possível encontrá-lo cantando toadas de bumba-meu-boi, como é o caso de “Aconteceu”, uma composição feita em parceria com o mestre Francisco Naiva, o grande nome do Boi de Axixá. Mas ele fez também incursões pelo reggae, marchinhas de carnaval, MPB, brega e muitos outros estilos.
Em seus vídeos postados na internet, é possível vê-lo acompanhado de sua banda cantando forró e outros ritmos populares em diversas apresentações. Contudo ele também já interpretou músicas românticas, ao estilo da Jovem Guarda, como é o caso de “à Procura de Alguém” (composição de Geraldo Gonçalves e Lima do Norte) e “O Tesouro perdido” (composta por Ely Carlos, José Branco e Valtinho), abaixo transcrita:
Eu estava sentado e uma estrela caiu
Senti no meu corpo e pra cima eu olhei
E aí desejei fazer o pedido
E aí desejei fazer o pedido
Achar um tesouro foi o meu pedido
Eu fiz o pedido e não fui atendido
Eu preciso encontrar o tesouro que eu pedi
Pra matar a saudade que invade o meu coração
Eu preciso encontrar, encontrar, encontrar
eu preciso encontrar, encontrar, encontrar
Últimas notas…
Em uma pesquisa rápida como esta, realizada em pouco mais de duas horas de mergulhos nas páginas da internet e nos labirintos da memória, não foi possível fazer uma atualização sobre como está hoje esse talentoso intérprete e compositor maranhense que fez sua voz ecoar por todo o Brasil. As postagens mais recentes de seus vídeos datam de um a dois anos atrás (2023/2024), geralmente em festas populares onde ele e sua banda se apresentaram. Percebe-se que não são filmagens profissionais, mas elas trazem a seus fãs a imagem de um senhor com seus setenta e tantos anos cantando, tocando e animando o ambiente com a voz que lhe é característica.
De qualquer forma, espero que o cantor esteja bem e que continue levando sua voz a todos os seus admiradores. Este singelo texto é muito mais que uma homenagem ao cantor. É também um agradecimento por ele fazer parte da minha infância.
Quase fechando o texto, localizei o CD “Hei de te encontrar”, com dezenove composições que mostram a variedade musical desse talentoso cantor. Vale a pena ouvir!!!
Afinal, um tesouro musical como esse não pode ser perdido ou cair no esquecimento.
Tomara que alguém possa trazer novas notícias sobre ele!
segunda-feira, 15 de setembro de 2025
SOBRE TEXTOS E LIVROS
Novos artigos de segunda #49
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| Imagem criada com auxílio de Inteligência Artificial |
SOBRE TEXTOS E LIVROS
José
Neres
Por razões bastante óbvias, o aparecimento de textos precede em muito o surgimento do livro como o conhecemos hoje. Mas, tanto um como outro, são de vital importância para a transmissão dos conhecimentos acumulados ao logo de toda a história da Humanidade.
O texto é sempre algo multifacetado
e cheio de detalhes que nem mesmo um mergulho em suas entranhas seria capaz de
destrinçar por completo. O texto é sempre um estranho composto que contém em
sua fórmula uma quantidade limitada de informação explícita, mas que esconde
sob suas diversas aparências, um universo inesgotável de informações implícitas.
Desse modo, por mais que os leitores tentem chegar a uma conclusão definitiva um
texto jamais se esgotará em suas múltiplas interpretações e reinterpretações.
O texto é tão importante, que nem
mesmo espera para ser escrito. Ele pode vir disfarçado das mais diversas
formas. Pode ser um olhar, um filme, um sorriso, um poema, um romance, uma
letra de música, um sinal de que a chuva não demora a chegar, um efusivo aperto
de mão... tudo pode, e deve, ser lido como um grande texto. E todo o
conhecimento que o homem adquire ao longo de sua vida deve ser visto como
instrumentos para leitura da realidade que nos cerca. Não é por acaso que o
grande educador Paulo Freire, em uma de suas frases mais conhecidas, diz que:
“a leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura
desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele”[1].
Mas como guardar tanta informação?
Como transmitir os inúmeros conhecimentos adquiridos após séculos e mais
séculos de experiências humana? Apenas com base em textos orais? Claro que não!
Por melhor que seja a memória do homem, ela será sempre limitada. Para tentar
preencher tal lacuna, surge a escrita e, muito tempo depois dela, uma das
maiores invenções do homem: o livro.
Embora hoje, ainda em princípios do século XXI, muitos preconizem a morte do livro em sua forma física, ele continua vivo e sendo (re)editado, mesmo com o surgimento de novas tecnologias, e não se pode negar a importância dele para todo o progresso da humanidade. Afinal de contas:
A
presença do livro na nossa cultura deu-se, pois, de forma fundante e
avassaladora: civilização pela escrita, ela seria – como se concebia até bem
pouco – a chave com a qual abrimos as portas da História. Vivemos, em
conseqüência, numa sociedade grafocêntrica, embora se saiba que essa posição
conferida à palavra escrita não significa exclusividade, não só porque há
culturas que dela prescindem como porque, na atualidade, confere-se à imagem
uma nova dimensão. Tal postura não impede, no entanto, que nos aproximemos do
livro, um dos objeto-simbolo da modernidade, com certa reverência. [2]
Com o aparecimento do livro, os
textos, que antes podiam perder-se facilmente nas encruzilhadas do tempo e do
espaço, ganharam um elemento norteador, um meio de perpetuação que ia muito
além da memória humana e das incertezas das transmissões orais. A mesma
história poderia agora ser contada dezenas, centenas, milhares de vezes, sem
que uma vírgula sequer fosse alterada. Afinal de contas verba volant, scripta manent[3]. Um
autor poderia finalmente grafar, quando quisesse e lhe fosse útil, seu nome na
portada de uma obra e dizer bem alto que ele havia criado aquela história. Não
haveria mais dúvidas sobre que realmente era o autor de uma obra. Os grandes
heróis, as grandes aventuras finalmente poderiam ser compartilhadas com pessoas
das mais diversas partes do mundo, sem que alguém precisasse perder a vida no
interminável trabalho de transcrever manualmente o conteúdo de uma obra.
Mas o mundo não é tão arrumadinho
assim. Passada a euforia da impressão dos muitos exemplares, diversas polêmicas
surgiram. Será que o nome que estava na capa do livro correspondia exatamente a
quem criou a história? Será que a mesma história era lida da mesma forma
incontáveis vezes? Até onde vai a noção de originalidade e de criatividade?
Quais os limites que separam plágio e intertexto... Tantas perguntas... Mínimas
respostas...
Dúvidas e mais dúvidas se
multiplicam até hoje. Será que Homero realmente existiu ou tudo não passou de
mais uma invenção dos criativos gregos? E se ele não existiu realmente, quem
seria o verdadeiro autor (ou autores) da Ilíada
e da Odisséia? O grande bardo inglês
William Shakespeare criou Romeu e Julieta
ou apenas transformou em peça teatral uma lenda tantas vezes contada e
recontada pelas gerações anteriores? Até onde Eça de Queirós, ao escrever sobre
o amor adúltero de Luísa
Para provocar mais discussões ainda, o
escritor argentino Jorge Luis Borges ainda escreveu Pierre Menard, el autor del Quijote, no qual discute a questão da
autoria. Pierre Menard é um escritor cuja “ambição era produzir algumas páginas
que coincidissem - palavra por palavra e
linha por linha – com as de Miguel de Cervantes”[4],
mesmo assim, o hipotético autor da “nova” obra a considera original, pois são
construídas em momentos históricos distinto e com diferentes motivações. No
final do conto, o narrador comenta que:
Menard
(talvez sem querê-lo) enriqueceu, mediante uma técnica nova, a arte fixa e
rudimentar da leitura: a técnica do anacronismo deliberado das atribuições
errôneas. Essa técnica de aplicação nos leva a percorrer a Odisséia como se
fosse posterior à Eneida e o livro Le
Jardin du Centaure de Madame Henri Bachelier como se fosse de Madame Henri
Bachelier. Essa técnica povoa de aventura livros mais pacíficos. Atribuir a
Louis Ferdinand Céline ou a James Joyce a Imitação
de Cristo não é suficiente renovação dessas tênues advertências
espirituais?[5]
Os questionamentos levantados no conto
borgeano levam a diversos outros concernentes à natureza da recepção das obras
ao longo dos tempos. Por que será que A
Arte de Amar de Ovídio foi chamada de obscena na Roma antiga e hoje é tida
como obra de bom gosto artístico? Por que razão livros como O Sofá (de Clébillon Fils), Teresa Filósofa (autor desconhecido ) e Fanny Hill (de John Cleland) foram tidos
como verdadeiros lixos literários na época e hoje são encontrados em livraria
se bancas de revista de todo o Brasil e tratados como obras de inovação
literária? Como serão vistos daqui há vinte, trinta ou cem anos livros como O Doce Veneno do Escorpião, de Bruna
Sufistinha? São perguntas praticamente sem resposta. Mas que trazem dentro de
si pelo menos uma informação inconteste: os textos não mudaram, mas os leitores
de hoje são bem diferentes daqueles que liam essas mesmas obras antigamente. E
o contexto histórico-geográfico é capaz de alterar a recepção de uma obra e/ou
de um autor.
Uma outra dúvida levantada foi com
relação à autenticidade do texto. De um modo ou de outro, todo escritor tem que
primeiro ser um grande leitor. Então é natural que durante a confecção de seu
texto ele remeta (de modo consciente ou não) a várias de suas leituras. É
impossível, por exemplo, para um amante da literatura, ler Bocage e não pensar
nos poemas de Camões; é difícil ler A Eneida,
de Virgílio, e não pensar nas epopéias homéricas; assim também, somente uma
pessoa muito desatenta, lerá o badalado best seller Código da Vinci e não
perceberá as referências à Bíblia e à
História da Arte.
Mas, ao longo da História, o livro também teve seus momentos de aparente insegurança. Por diversas vezes, o boato de que o livro já estava com seus dias contados ganhou as ruas. Alguns inventos foram tidos como inimigos da obra impressa: o rádio, o cinema, a televisão, a internet... Contudo, de uma forma ou de outra, todas essas invenções acabaram contribuindo para a difusão de textos que antes eram exclusivos dos livros. As novelas de rádio fizeram com que nossos avós entrassem em contato com tantos textos clássicos. A televisão e o cinema até hoje bebem nas páginas dos livros, buscando sempre entreter um público cada vez mais ansioso de aventuras, de mistérios e de histórias de amor. A internet, a aparentemente o mais temível inimigo dos livros na atualidade, vem aos pouco se tornando uma espécie de biblioteca virtual, um verdadeiro repositório de textos de todos os tipos e de todos os estilos, criando novas alternativas tanto para o leitor comum quanto para o pesquisador, conforma nos diz o professor José Luís Jobim:
É
possível também que, por parte dos usuários, haja no futuro a questão da
escolha de por qual meio acessar qual texto. A biblioteca de Stanford oferece
on-line e em papel os periódicos acadêmicos que considera mais relevantes a
biblioteca do Centre Pompidou, na França, oferece o jornal
De qualquer forma, não se pode negar
que o espaço do livro como objeto físico ainda perdurará por muito tempo, mesmo
porque “não se pode negligenciar ainda o desconforto da leitura em tela de
computador: se, para os textos curtos, não parece haver tanto problema, para
textos longos a leitura continuada é bastante exaustiva”[7].
Além disso, um livro pode também ser visto como um fetiche incompreendido por muitos, mas disputado por indivíduos de diversas esferas sociais. Livro pode ser companhia, poder ser passado, futuro ou presente, como metaforiza o poeta Abraão Teixeira:
O professor Gabriel Perissé, em um volume inteiramente dedicado aos livros e à leitura faz a seguinte declaração de amor:
Abro um livro, e para mim se abrem portas e comportas. Sou convidado a entrar em mim mesmo, percorrendo as linhas e entrelinhas do texto. O texto é um mapa cujo destino estou para descobrir. O livro me leva às portas do indecifrável, que se torna indecifrável no exato momento em que começo a decifrá-lo. E o que devo fazer? Que destino escolher, eu que já nasci com o destino de não ser fatalista?[9]
Para finalizar este breve trabalho, que é apenas um embrião a se desenvolver em outros estudos mais aprofundados, nada mais pertinente que as palavras do escritor Gaúcho Moacyr Scliar, que, pela hipotética voz do sábio Salomão antevê o futuro dos livros.
Claro,
o livro como objeto também é perecível. Mas o conteúdo do livro,
não. É uma mensagem que passa de geração em geração, que fica na cabeça das
pessoas. E que se espalha pelo mundo. O livro é dinâmico. O livro se dissemina
como a semente que o vento leva. [10]
REFERÊNCIAS
CITADAS
BORGES, Jorge
Luis. Obras Completas I. São Paulo:
Globo, 1998
CAMBRAIA, César
Nardelli. Introdução à crítica textual.
São Paulo: Martins Fonte, 2005.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos
que se completam. 43 ed. São Paulo: Cortez, 2002.
JOBIM, José Luís
(org.) Literatura e informática. Rio
de Janeiro: Eduerj, 2005
PERISSÉ,
Gabriel. Elogio da Leitura. Barueri:
Manolé, 2005.
SCLIAR, Moacyr. A mulher que escreveu a Bíblia. São
Paulo: Companhia das Letras, 2007
TEIXEIRA,
Abraão. Pensando
WALTY, Ivete Lara Camargo et all. Palavra e imagem: leituras cruzadas. 2ed. Belo Horizonte:
Autêntica, 2006.
[1] FREIRE,
Paulo. A importância do ato de ler em
três artigos que se completam. 43 ed. São Paulo: Cortez, 2002. pág. 11.
[2] WALTY,
Ivete Lara Camargo et all. Palavra e
imagem: leituras cruzadas. 2ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2006. pág. 21.
[3]
TRADUÇÃO: As palavras voam, mas permanecem quando são escritas.
[4] BORGES,
Jorge Luis. Obras Completas I. São
Paulo: Globo, 1998. Pág. 493.
[5] Idem,
pág. 498.
[6] JOBIM,
José Luís. Autoria, leitura e bibliotecas no mundo digital. In; JOBIM, José
Luís (org.) Literatura e informática. Rio de Janeiro: Eduerj, 2005. pág.
129-130.
[7]
CAMBRAIA, César Nardelli. Introdução à crítica textual. São Paulo: Martins
Fonte, 2005. Pág. 186.
[8]
TEIXEIRA, Abraão. Pensando
[9] PERISSÉ,
Gabriel. Elogio da Leitura. Barueri: Manolé, 2005. Pág. 09.
[10] SCLIAR,
Moacyr. A mulher que escreveu a Bíblia.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007. Pág. 88.
sábado, 13 de setembro de 2025
POLÍTICA DE BOA VIZINHANÇA
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| Imagem criada com auxílio de Inteligência Artificial |
POLÍTICA DA BOA VIZINHANÇA
José Neres
- Bom diiiiiaaaa, vizinho!
- Bom dia, bom dia.
- Que bom encontrar o senhor por aqui hoje.
- É… estou sempre por aqui…
- Quero lhe fazer um convite especial, vizinho.
- Convite?
- Sim, um convite. Mas um convite especial mesmo…
- Não estou entendendo, vizinho.
- Vou explicar. No próximo sábado, haverá um jantar em minha casa e o senhor e sua família estão convidados!
- Convidado? Eu? Minha família?
- Sim. Convidado. E é um convidado mais que especial.
- Hummm.
- Sabe como é, vizinho, sou pré-candidato a deputado federal e gostaria de contar com sua ajuda e de toda a sua família.
- Ah, sim. Que susto!
- Então, posso contar com sua presença?
- Não sei, não… tenho receio de ficar deslocado em sua casa. Deve ter muita gente importante por lá e eu sou um homem simples…
- Não se preocupe com isso. Todos lá são amigos e apoiadores de minha futura campanha. E já estou convidando outros vizinhos como o senhor…
- Obrigado, vizinho. Mas acontece que me mudei para cá faz apenas uns dez anos e até hoje não fomos apresentados. Na verdade, nem sei o seu nome.
- Mas que gafe essa minha. É que sempre estou tão apressado que nem dá tempo de parar para falar com os amigos…
- E nem para responder ao bom dia que sempre lhe dou, vizinho…
- Bem, como ia dizendo… eu sou o doutor Mauro Thyago (com h e y) Borges e Silva, seu amigo para todas as horas… pode me chamar de Doutor Mauro ou de Doutor Thyago, tanto faz…E como é mesmo seu nome?
- Sou Izedino Alcântara, seu criado.
- Então, seu Izedino - bonito nome! Posso contar com sua presença?
- Oh, Doutor Mauro Thyago (com h e y). Vou pensar e depois lhe digo. É que é difícil para mim ficar no meio de tanta gente importante, ainda mais em uma casa tão rica, com segurança por todo lado. Inclusive alguns já pediram para eu não ficar olhando muito para lá. Será que serei bem recebido em um lugar onde nunca me responderam a um comprimento feito?
- Será, sim, seu Izedino. E para o senhor não esquecer meu nome, vou deixar com o senhor o meu cartão. Precisando de alguma coisa, é só ligar. Minha secretária atende e me repassa a demanda. Assim que eu tiver o número oficial da candidatura, chamo o senhor para entregar. Não esqueça meu nome: Doutor Mauro Thyago (com h e y) Borges e Silva. Juntos, iremos melhorar o nosso país. Espero o senhor lá.
- Não se preocupe, vizinho. No dia da eleição prometo não esquecer seu nome e seu número. Não se preocupe. Nunca esquecerei!
- Até logo, vizinho. E não esqueça: Doutor Mauro Thyago Borges e Silva para um Brasil melhor!
- Não esquecerei, vizinho. Não esquecerei!
segunda-feira, 8 de setembro de 2025
SÃO LUIS POR SEUS POETAS
Novos Artigos de Segunda #48
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| Fonte da Imagem: Arquivo do autor |
SÃO LUÍS POR SEUS POETAS
José Neres
Ilha que transpira poesia, São
Luís, em seus 413 anos de existência, já recebeu inúmeras declarações poéticas.
Algumas exalam o mais puro lirismo ufanista, outras trazem marcas de uma
saudade infrene, outras ainda trazem uma visão clínica dos males sociais da
musa urbana. Todas elas, no entanto, são marcadas por pelo menos um ponto em
comum: um amor atávico pela Cidade.
Vista antanhamente apenas como
uma “terra das palmeiras, onde canta o Sabiá”, Ilha do Amor, Cidade dos
azulejos, Porcelana Brasileira e Presépio de Porcelana, São Luís recebe
atualmente outros apodos bem menos poéticos. Mas, no estro de seus vates,
continua merecendo valorosas e criativas homenagens. Nonato Pires tem a Urbe
como “a serpente mais formosa”; para Ivan Sarney, “a cidade são as lendas e a
memória das pessoas”; Bandeira Tribuzi, além de pedir “Oh, minha cidade, deixa-me
viver, diz que ela “parece um presépio levantado por mãos puras”; Luiz Alfredo Neto
Guterres diz que a capital maranhense é “um paraíso perdido por entre os braços
do mar”.
Já Sandra Regina Alves Ramos diz
que a cidade é “uma ilha, estremecida, calada, silenciosa. É uma ilha, mas ao
longe, avista-se um poeta tentando rimar, uma palmeira... e um sabiá”. Outra
poetisa, Dagmar Destêrro, acreditando que sua cidade “é sala antiga, é retrato
da saudade, desafio da esperança transformado em realidade”. Odylo Costa, filho
declara seu amor através de gotas nostálgicas ao dizer: “Eras, minha São Luís,
estranho pássaro, com as asas amarradas pelas cordas movediças prata de teus
rios”. E tantos outros poetas já brindaram sua musa urbana dos mais diversos modos.
Assim como são diversas as
metaforizações com relação à cidade, múltiplas também são as visões do poeta na
hora de retratá-la em versos. Uns agem de forma lírica, ressaltando a essência
poética da Ilha Verde, vendo “a Cidade vestida a rigor, vestida à colonial, meu
mundo, meu porta-joias, meu cartão postal, como escreveu Manuel Lopes. Ou ainda,
como no poetar de Clóvis Ramos, para quem “São Luís é a cidade da ternura... em
cada canto um sonho meu perdura. Outros, no entanto, preferem pôr seus versos
pisando firmemente as pedras de cantaria e fazendo um périplo por ruas, becos e
escadarias da Atenas Brasileira. É o caso de Ferreira Gullar, que transformou
sua saudade de exilado político em canto de dor e lamento coletivo em seu
famosíssimo Poema Sujo, no qual a cidade se desnuda para o leitor, mostrando
tanto suas curvas sinuosas/sensuais e seu ventre de mãe como suas marcas dos
quase quatro séculos de sevícias, pois “a noite não é a mesma em todos os
pontos da cidade”,
Seguindo os passos de Gullar,
temos também a acidez cortante dos versos de Luís Augusto Cassas que, em sua Ópera
Barroca, afirmou que “as ruas de São Luís têm cada de munição, pesados pombos-sem-asa
arrebentam a solidão”, uma vez que “a cidade acorda cedo, despida de segredos”.
José Maria Nascimento, outro poeta bastante ligado a sua terra, deixa claro
que, em seu ponto de vista, “esta cidade é a sombra de um deserto” e ao mesmo
tempo parabeniza a “amada Ilha, pelas tuas maravilhosas e doces primaveras”.
Ainda na vertente crítico-social, temos os livros de Alex Brasil, que não vê a
cidade apenas como uma esplendorosa Ilha Verde, mas também como um “cemitério
de crianças apodrecidas” e um lixeiro que cresce “plantando miséria sobre o
verde”.
No eterno flanar sobre a cidade,
alguns poetas optam por destacar seu valor histórico-artístico-social, como sói
acontecer com José Chagas, poeta que prega que os poemas estão espalhados pela
cidade, bastando que sejam apanhados do chão, já que o “chão de São Luís [é]
poeira de história, pedra que é raiz fincada em memória”. Ou ainda como José
Sarney, que, além de sua Meditação sobre o Bacanga, faz um longo passeio pela
cidade e conclui que as Carrancas do Ribeirão “são pedras, são desnavios que
choram na eternidade”.
Os poetas acima (e muitos outros
que não foram citados), em seus poemas, não importando a abordagem feita,
acabam, nos ecos de suas palavras poéticas, coadunando com os famosos versos do
compositor César Nascimento em sua Ilha Magnética, quando diz que “se um dia eu
for embora, pra bem longe desse chão, eu jamais te esquecerei, São Luís do
Maranhão”. Afinal é preciso aproveitar cada minuto dentro da Ilha, antes que,
como alerta ironicamente Luís Augusto Cassas, “antes que a Unesco tombe o último
camarão seco”.
(Artigo inicialmente publicado no
Jornal O Estado do Maranhão, em 29 de agosto de 1998, com pequenas adaptações)
O COTIDIANO DESENREDO
Novos artigos de segunda #79 Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial NOSSO COTIDIANO DESENREDO POLÍTICO José Neres No iní...
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Saudade José Neres Tudo o que passa deixa algum sinal Que nos pode ser visível ou não, Mas que tem como feito principal Tirar do nosso pe...




