Tenho conversado com muitas pessoas que se sentem para baixo, que vivem e sobrevivem divididas entre os poucos momentos de alegria e os vazios da depressão. Entre o pé no freio da realidade e a aceleração constante da ansiedade.
É para essas pessoas que escrevo o soneto abaixo.
Torço para que todas melhorem.
Estou sempre à procura de mim mesmo
E quando imagino e sinto que me acho
Percebo que tenho caminhado a esmo,
Que não serei mar, nem mesmo riacho.
E quando imagino e sinto que me acho
Percebo que tenho caminhado a esmo,
Que não serei mar, nem mesmo riacho.
Sou um fruto colhido ainda em cacho
Sou na vida um incômodo tenesmo.
Por puro orgulho não me rebaixo,
Eu jamais corro, simplesmente lesmo…
Às vezes,entre os meus eu não me encaixo,
Evito de usar o prefixo desmo
Por achar isso um jogo muito baixo.
Fujo da nobreza e do populacho,
Do caviar, do vinho e do torresmo…
Eu habito entre o piso e o frio capacho.

Desde Shakespeare, pensar sobre o ser sempre foi uma questão que envolve reflexão, raciocínio e jogos de palavras. No seu caso, ainda usou o jogo de rimas raras para enriquecer ainda mais o texto! Parabéns!! 👏🏼👏🏼
ResponderExcluirO ser humano é uma eterna fonte de inspiração. Foi bastante difícil encontrar umas para a palavra mesmo. Espero ter conseguido.
ExcluirVocê, como sempre, é muito cirúrgico, meu amigo querido. Tenho me sentido, já há alguns anos, exatamente assim. Como no teu poema e como no poema do Gullar...
ResponderExcluirEspero que melhore. Infelizmente, há muitas pessoas nessa mesma situação!
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