Novos artigos de segunda #77
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| Imagem elaborada com auxílo de Inteligência Artificial |
VIOLÊNCIA VERBAL EM SALA DE AULA
José
Neres
Quando se
fala em violência em sala de aula, muitas pessoas pensam logo em cenas de
agressão física. No entanto, o uso de palavras ofensivas também pode ser
contabilizado no rol das muitas violências que permeiam o convívio diário de
quem está envolvido com a educação.
Nem sempre
as pessoas envolvidas têm consciência de que palavras utilizadas com uma
entonação adequada e em um contexto inapropriado podem levar a conflitos.
Tanto alunos
quanto professores podem incorrer no constante uso de expressões e
palavras que em nada contribuem para apaziguar situações. Contudo, nem sempre
isso acontece de forma consciente. Muitas vezes as cenas ocorrem travestidas de
brincadeiras ou do famoso “foi sem querer”.
Mesmo sendo “sem
querer”, as palavras podem deixar cicatrizes invisíveis na vida de alguém. De alguma
forma, todos nós já ferimos alguém com uma infeliz escolha de palavras ou de
entonações.
Uma sala de
aula deveria ser um espaço de diálogo, compreensão e de aprendizagem. No
entanto, às vezes, torna-se um campo de batalhas verbais, do qual ninguém quer
sair como perdedor.
Temos a
seguir algumas frases que são ditas cotidianamente e que podem servir como arma
no processo de comunicação entre discentes e docentes. Nenhuma das frases foi
inventada. Todas foram ouvidas em sala de aula ou nos corredores de
instituições de ensino.
***
Falas de
professores
- Esta é a pior turma que eu já tive em toda a minha vida.
- Antes de entrar nesta sala, tenho que fazer o sinal da
cruz.
- Vou tentar explicar, mas sei que ninguém aqui irá aprender.
Esse assunto é para pessoas inteligentes.
- Dar aula para vocês é perder tempo.
- No dia da prova, vocês me pagam.
- Aqui tem um monte de analfabeto de pai e de mãe.
- Ainda bem que burrice não pega.
- Um final de semana com dor de dente é bem melhor que duas
aulas seguidas nesta turma.
- Taí uma coisa que é novidade para mim: um pobre metido a
inteligente. Cada uma!
- Eu sou formado e tenho pós-graduação. Quem você pensa que é
para duvidar da minha aula?
- Estuda, minha filha, estuda... Feia como você é, só estudando
para ter um futuro na vida.
Falas de
alunos
- Professor, hoje vai ter algo importante ou só aula mesmo?
- Poxa, o senhor deveria ter ficado doente... Para que o
senhor veio hoje?
- Acabou a aula? Graças a Deus! Ninguém merece ficar 100
minutos ouvindo a senhora.
- Professora, sonhei que a senhora tinha sido atropelada e
morria. Assim que a senhora chegou, fiquei tão triste.
- A senhora consegue explicar por que todo professor é feio e
tem cara de pobre?
- Depois um certo carro aparece com o pneu furado e ninguém
sabe quem foi.
- Tenho tanta vontade de ir ao seu enterro...
- Tomara que você caia da escada e quebre o pescoço.
- Essa aula vai servir para que mesmo?
- Em dois dias, eu ganho mais do que a senhora em um mês.
- Se eu não obedeço meu pai, vou respeitar professor?
***
A seleção é básica
e suave. Há frases muito mais grotescas e agressivas. Que cada um de vocês faça
sua lista...
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Excelente texto! A frase “Vou chamar o Conselho Tutelar” é uma ameaça usada nessa mesma diretiva
ResponderExcluirÉ verdade. Esqueci essa!
ExcluirO ambiente escolar é difícil. Todos estão desconfortáveis. Alguns atacam com palavras horríveis. Esquecem que melhor é ajudar com boas ações: um professor dedicado é algo valioso e um bom aluno aproveita o valor.
ResponderExcluirNos dias atuais, os professores enfrentam uma batalha, ter que rebuscar palavras e ouvir sem poder dar uma devolutiva a altura para o aluno. Os valores se inverteram demais. Meu profundo respeito e admiração aos mestres que diante desse cenário luta por uma boa educação.
ResponderExcluirA dura realidade da (des)educação brasileira, um campo minado para pessoas corretas e bem intencionadas.
ResponderExcluirQue texto excelente!
ResponderExcluirA violência verbal, causa danos à sua saúde mental e emocional, muitas da vezes até mais duradoura que a física.
José Neres, sua reflexão é necessária por expor aquela violência que, embora não deixe marcas físicas, adoece profundamente o cotidiano escolar. É muito pertinente como você mostra que essa agressividade atinge ambos os lados, transformando o aprendizado em um embate onde todos saem perdendo. Seu texto nos recorda que a educação só cumpre seu papel quando prioriza a humanidade e o diálogo real, deixando de lado as ofensas que hoje, infelizmente, são tão comuns nos corredores. Parabéns pela coragem de dar visibilidade a um tema tão urgente e importante.
ResponderExcluirParabéns!
José Neres, sua reflexão é necessária por expor aquela violência que, embora não deixe marcas físicas, adoece profundamente o cotidiano escolar. É muito pertinente como você mostra que essa agressividade atinge ambos os lados, transformando o aprendizado em um embate onde todos saem perdendo. Seu texto nos recorda que a educação só cumpre seu papel quando prioriza a humanidade e o diálogo real, deixando de lado as ofensas que hoje, infelizmente, são tão comuns nos corredores. Parabéns pela coragem de dar visibilidade a um tema tão urgente e importante.
ExcluirParabéns! (Aldaléa)
A violência está ligada à base instintiva do ser humano, mas é o desenvolvimento do raciocínio que nos permite perceber suas múltiplas faces. A desigualdade social, por exemplo, é uma forma de violência estrutural.
ResponderExcluirNo cotidiano da sala de aula, essa questão é palpável: o professor sofre violência verbal, mas também pode praticar violência com suas palavras. O aluno não está alheio a isso; ele transita entre ser vítima e agressor, seja em casa ou na escola. Como, então, podemos articular soluções para enfrentar e resolver essas diversas formas de violências?
A educação poderia ser instrumento, caso, seja feito de fato.