domingo, 12 de abril de 2026

NÚMEROS QUE TAMBÉM INCOMODAM

 Novos artigos de segunda #78

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 


NÚMERO QUE TAMBÉM INCOMODAM

José Neres 


Semana passada, uma senhorita me procurou para parabenizar pelo artigo “Números que assustam”, publicado aqui mesmo no dia 18 de fevereiro. (Leia o artigo)

Ela disse ter ficado abismada com a onda de violência que assola as mulheres e com o fato de as esposas estarem em constante perigo dentro do próprio lar e que quase não conseguiu dormir ao tomar consciência de que quatro mulheres são assassinadas por dia, em média, por seus companheiros.

Ao final da conversa, a jovem suspirou profundamente e lamentou: "Como é difícil e perigoso ser mulher no Brasil e como deve ser confortável ser homem, pois eles estão livres do perigo e podem dormir tranquilos sabendo que não serão vitimados dentro da própria casa".

Olhei para ela e disse que não era bem assim. E os homens também são vítimas de suas companheiras e que, segundo dados do Atlas da Violência no Brasil, aproximadamente nove homens são mortos diariamente por suas companheiras, o que resulta em quase 3.300 (três mil e trezentos casos anuais), contra os 1.418 (mil quatrocentos e dezoito) feminicídio registrados em média nos últimos anos. Sendo que em ambos os casos devem ser levadas em conta as subnotificações.

Ela olhou para mim com olhar assustado, mas com um breve e mal disfarçado sorriso e disse: “Mas nesse caso eu super apoio. Se a esposa mata o marido é porque alguma coisa ele aprontou”. “Então está valendo”.

Disse para ela que aquele argumento era meio falacioso, pois acabava, de alguma forma, justificando as ocorrências de feminicídio. Já que também seria um absurdo justificar a morte de uma mulher alegando que “alguma coisa ela aprontou”.

O sorriso desapareceu, mas ela continuou afirmando que “era muito justo a esposa matar o marido. Mas é inadmissível um homem matar uma mulher”.

Ainda tentei argumentar que todo tipo de violência é condenável. Mas minha interlocutora apostou em uma cartada final: “Se são tantos casos assim, como não são divulgados? Não são os homens que dominam a imprensa e os institutos oficiais? Eles podem inventar os números que quiserem!"

Nesse ponto ela tem certa razão. É um trabalho árduo localizar as estatísticas relativas ao que seria hipoteticamente chamado de masculinicídio. No próprio Atlas da Violência no Brasil, os dados são bastante detalhados quando a vítima é a mulher, mas quase inexistentes e diluídos nos eixos da violência doméstica, sem ênfase quando o homem é a vítima.

De qualquer forma, concordamos quanto à ideia de que não existe uma política pública eficiente que busque proteger a vida, não importando que seja da mulher, seja do homem. Os programas buscam menos a mitigação ou solução desse problema que uma ineficiente exposição midiática ideologicamente programada.

Enquanto houver notícias como as seguintes - veiculadas na imprensa entre Março e abril de 2026, temos a certeza de que a sociedade como um todo é a grande derrotada. Uma grave derrota!

Todo e qualquer tipo de violência deve ser combatida.

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Professora mata marido com uma facada durante discussão (Londrina)

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Estado de São Paulo registrou aumento de 45% nas vítimas de feminicídio 

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Mulher vai buscar marido no bar para matá-lo a facada (Bahia)

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Santa Catarina registrou 15 casos de feminicídio apenas no início de 2026

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Mulher mata marido por wi-fi no PR e simula morte acidental

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Velório de mulher morta após espancamento mobiliza protestos contra feminicídio ( Maranhão)

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Mulher é flagrada ameaçando namorado antes de matá-lo a facadas (São Paulo)

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RS registra dois feminicídios em 24 horas; total chega a 27 em 2026

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Mulher mata marido com gargalo de vidro durante discussão no Recife.

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