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| Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial |
COLHEITA
José Neres
E chego àquele tempo tão sagrado
Em que tudo parece bem profano
Quando o terreno que jamais foi arado
Nos compensa com fruto desumano.
Em que tudo parece bem profano
Quando o terreno que jamais foi arado
Nos compensa com fruto desumano.
A colheita é feita com grande enfado
Como se já fosse parte de um plano,
A imitar o ritmo de triste fado
Adaptado à bela voz de soprano.
Mas tudo na vida tem mais de um lado
E tudo acaba num cair de pano,
Quando até o deserto se torna um prado.
Mesmo não querendo, sofrer é humano.
Ninguém vive só em eterno agrado.
Que ninguém viva neste eterno engano!
(São Luís, 10.05.2026)

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