quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

NÚMEROS QUE ASSUSTAM

 Novos artigos se segunda #69

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 


NÚMEROS QUE ASSUSTAM

José Neres 


Não sou fã de televisão. Evito ao máximo ficar diante dela. Mas, como ela está em praticamente todos os lugares, vez ou outra assisto a algum programa.

Um dia desses, peguei o controle remoto e comecei a pular de canal em canal. Fiquei assustado.

Em alguns programas voltados para o público que aprecia as notícias de caráter mais sangrento, os apresentadores mostraram casos que assustam e levam à reflexão. Na tela, os eventos se sucediam em profusão: mulheres mortas por seus companheiros. Os chamados casos de feminicídio (o nome é horrível, mas o ato é bem pior).

As notícias são tristes e repetitivas. Os casos são bastante parecidos, com alteração apenas no nome das vítimas. As mulheres sobreviventes terão que conviver com os traumas e quase sempre precisam deixar para trás pedaços da própria história.

Infelizmente, quase todas essas histórias começaram com uma frase: “Eu te amo!”, que escondia dentro de si uma tragédia quase sempre anunciada. E ainda há quem coloque a culpa na própria vítima. Horrível e irresponsável atitude!

Somente de 2020 até 2025 foram registrados milhares de casos e os números oficiais nem sempre dialogam com a macabra contabilidade do mundo real, pois existem omissões, subnotificações e casos que ainda estão sob investigação, sem contar que sempre pode haver alguma variação nos resultados de acordo com a fonte dos dados divulgados ao público.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), temos os números abaixo:


2020 - 1350 casos

2021 - 1400 casos (estimativa)

2022 - 1400 casos 

2023 - entre 1438 e 1463 casos

2024 - 1450 casos

2025 - 1470 casos


O que dá uma média de aproximadamente 1418 mulheres assassinadas por ano, ou seja, cerca de quatro casos de feminicídio por dia no Brasil.

No Maranhão, os dados oficiais também são desanimadores:

2020 - 60 casos

2021 - 56 casos

2022 - 69 casos

2023 - 50 casos

2024 - 69 casos

2025 - 51 casos 


Lembrando que esses dados também podem sofrer alguma variação por conta de subnotificações e de outros fatores. Os números mostram uma oscilação recorrente que não nos permite acreditar que a queda do último número tenha continuidade.

Tais números não devem ser tratados apenas como meras curiosidades estatísticas, deveriam, sim, servir como base científica para políticas públicas de proteção às potenciais vítimas, sem esquecer que todo e qualquer crime deve ser combatido com rigor e com as punições previstas na Lei. 

Desliguei a TV e fiquei pensando que, apesar do sensacionalismo dos programa televisivos, essa notícias servem para nos tirar de uma nada confiável zona de conforto e pensar: “o que podemos fazer para essas essas notícias virem coisa do passado?". 

Que cada um de nós faça a sua parte. Cada vida salva é uma vitória. Mas não temos como não lamentar as perdas. 


Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 



11 comentários:

  1. Para além das mortes que são em números alarmantes, há outros tipos de violência contra a mulher, principalmente a psicológica a verbal que não deixa marcas no corpo, mas carimba a alma, a mente. E às vezes a pessoa que agride está acima de suspeita.
    Joizacawpy

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    1. Verdade, minha cara. Existe também essa espécie de morte em vida.

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  2. Não sei o que acontece. Apesar das campanhas ideológicas, nada melhora. Como fazer um homem desregrado respeitar a beleza? Protegê-la?
    Avraham Yitschak tiveram que esconder suas mulheres para não serem mortos pelos bestiais hábitos de homens que competem entre si como se fossem animais selvagens.
    A mulher é desde cedo acompanhada por olhares e dizeres desconfortáveis. Posso garantir que isso é de difícil solução para uma mulher. Ela toma decisões, ela vive os seus desejos e de repente alguém a escolhe ( sim, para impedir a passagem, para tocar, para zombar, para estragar, para humilhar). Poucos entendem
    o que acontece e realmente difícil de explicar essa humilhação.
    Ontem aconteceu. A jovem e bela mulher foi atingida pelo faqueiro com morte, dilacerou seus pulmões. Ninguém mais verá a bela moça. Nossas gargantas doem de tanta aflição. Procuramos solução e não achamos.

    Tememos pelos outros e não dormimos mais.

    A religião e o governo apenas pioram a situação com suas politicagens rentosas.

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    1. Verdade. Obrigado pelo comentário. Infelizmente vivemos atormentados por essa terrível realidade

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    2. Aldaléa Lopes Brandes Marques19 de fevereiro de 2026 às 15:41

      Parabéns ilustre amigo José Neres pelo texto cirúrgico sobre a realidade do feminicídio no Brasil e no Maranhão. Precisamos dar nome aos bois e encarar esses números de frente para que as políticas públicas realmente funcionem. Trabalho fundamental! 👏

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  3. Hoje, o feminicídio é uma epidemia, mata mais que muitas doenças. E infelizmente, as poucas politicas públicas voltadas para esses casos são negligentes e ineficazes.

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  4. Texto muito necessário. E a pergunta que não pode calar: o que cada um de nós, a partir de nosso lugar na sociedade, pode fazer para combater essas barbaridades?

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    1. Trata-se de um crime de difícil prevenção, pois acontece muitas vezes dentro do lar é longe de olhos alheios. Mas a simples consciência de que uma relação acabou e que cada parte deve seguir seu caminho já ajudaria a diminuir esses números. Porém...

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  5. É lamentável que nos tempos atuais essa natureza de crime persista de forma crescente. As campanhas contra o desvio de conduta dos homens maus não têm surtido efeito. Mulheres vítimas de todo tipo de massacre, além da perda da vida, sofrem violência psicológica, patrimonial e sexual. Onde iremos chegar com tanta barbárie?! Misericórdia Senhor!

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    1. É verdade, cara Elisa Lago. Infelizmente vivemos no meio de uma barbárie.

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