quinta-feira, 2 de julho de 2026

COVA RASA

 Como hoje temos que explicar o óbvio, chamo a atenção para que o texto abaixo é apenas uma peça de ficção, sem  inculto com a realidade.

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 




COVA RASA
José Neres 

I

Era uma noite fria de janeiro.
Mais um novo triste ano começava
Mas que podia ser o derradeiro
De uma triste vida que se arrastava.

Já que desde meu vagido primeiro 
Algo ruim de perto me mirava
Deixando bem claro que meu cruzeiro
Era nau que a nenhum porto chegava.

Cedo a vida me lançou vil morteiro 
Que levou mão materna que eu amava
A paterna transformou-se em vespeiro

Que de hora em hora me amaldiçoava…
Dos meus nem imagino o paradeiro…
Cuspo na treva que me iluminava!

II

Era uma noite fria de janeiro
Triste eu pela fria noite vagava
Quando ali se formou um nevoeiro
Eu a um palmo quase nada enxergava.

De repente, aquele passado inteiro
Que há dezenas anos só me assombrava
Se pôs diante de mim por inteiro 
Com uma voz que tão fria vibrava:

“Filho - disse-me ele em tom zombeteiro -
Com bafo de enxofre que me atordoava
Matei tua mãe com golpe certeiro 

Pois a você nem a ela já não amava…”
Naquela fria névoa de janeiro
Eu, sorrindo, aquele corpo enterrava.

COVA RASA

 Como hoje temos que explicar o óbvio, chamo a atenção para que o texto abaixo é apenas uma peça de ficção, sem  inculto com a realidade. Im...