AMIZADE
José Neres
O cachorro sentia o odor do dono
Que para casa jamais voltaria
E ali enfrentava fome, frio e sono
Nas frestas do relento se escondia.
O cachorro sentia o odor do dono
Que para casa jamais voltaria
E ali enfrentava fome, frio e sono
Nas frestas do relento se escondia.
Sofria as mil dores de um abandono
Involuntário que tanto lhe doía
Fosse inverno, primavera ou outono
Só de saudade o peito lhe tinia.
A fria lousa tornou-se seu trono
Perto daquela cruz ele latia
Convertendo lágrimas em carbono.
Eu vejo tudo isso e me impressiono…
Com aquela canina sinfonia
A clamar pelo falecido dono.

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