Como hoje temos que explicar o óbvio, chamo a atenção para que o texto abaixo é apenas uma peça de ficção, sem inculto com a realidade.
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| Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial |
COVA RASA
José Neres
I
Era uma noite fria de janeiro.
Mais um novo triste ano começava
Mas que podia ser o derradeiro
De uma triste vida que se arrastava.
Já que desde meu vagido primeiro
Algo ruim de perto me mirava
Deixando bem claro que meu cruzeiro
Era nau que a nenhum porto chegava.
Cedo a vida me lançou vil morteiro
Que levou mão materna que eu amava
A paterna transformou-se em vespeiro
Que de hora em hora me amaldiçoava…
Dos meus nem imagino o paradeiro…
Cuspo na treva que me iluminava!
II
Era uma noite fria de janeiro
Triste eu pela fria noite vagava
Quando ali se formou um nevoeiro
Eu a um palmo quase nada enxergava.
De repente, aquele passado inteiro
Que há dezenas anos só me assombrava
Se pôs diante de mim por inteiro
Com uma voz que tão fria vibrava:
“Filho - disse-me ele em tom zombeteiro -
Com bafo de enxofre que me atordoava
Matei tua mãe com golpe certeiro
Pois a você nem a ela já não amava…”
Naquela fria névoa de janeiro
Eu, sorrindo, aquele corpo enterrava.

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