ORGULHO E PRECONCEITO
José Neres
I
Aquele orgulho que você trazia
Estampado em seu olhar e no peito
Hoje já se perdeu na ventania
Tornou-se rio de tórrido leito.
Da vida só levamos a alegria…
E você em nada jamais foi perfeito
Usava da galhofa e da ironia
Humilhava quem tinha algum defeito.
Falava que de ninguém dependia
Que tinha sido até grande prefeito
Mas no bolso do povo a mão metia…
Agora, vivendo em plena agonia,
Percebe que nada mais tem jeito
Já não verá novo nascer de dia…
II
Morreu sem saber que cor não se pega
E nem que todos nós somos iguais…
Quando às coisa do mundo alguém se apega,
Mal deixa de si alguns tristes sinais.
Ao pensar que só sua vida agrega
E que os outros são meros animais
Afirmamos tudo que não se nega:
Nosso vil preconceito tão loquaz.
Preconceito é um diabo que nos cega
E que sempre nos leva para trás
É gosma de quiabo que escorrega
É bem triste playground de Satanás
É tal louco inferno que se encarrega
De mostrar que somos meros mortais

Amigo poeta, esse poema lembrou-se muito Gregório de Matos Guerra. Saúdo o Amigo poeta.
ResponderExcluirMuita gentileza sua. Gregório foi um gigante de nossa literatura!
ExcluirMaravilha de Sonetos! Interpreta bem a mazela social do ser humano,
ExcluirUm poema forte e profundo que nos remete a uma grande reflexão sobre preconceito e orgulho. Parabéns muito bom!
ResponderExcluirObrigado pelo comentário. E ainda existe que sente orgulho do próprio preconceito!
ExcluirUm poema de denúncia e reflexão, que expõe as consequências da arrogância e do preconceito, ao mesmo tempo em que reforça a urgência de uma postura mais ética, empática e humana diante do outro.
ResponderExcluirAdriana de Jesus Silva
Obriga pelo comentário. A arrogância faz muito mal para nossa alma. Abraços!
ExcluirPoeticamente , José Neres precisou os atos e o destino merecido das almas preconceituosas, encontradas nos mais diversos setores, que tanto mal faz à sociedade. Parabéns, caríssimo José Neres!
ResponderExcluirL. Angel
Obrigado pelo comentário. Se todo mundo refletisse sobre a própria arrogância, talvez o mundo melhorasse.
ExcluirAs eloquentes palavras remetem a hipocrisia latente na sociedade ludovicense não só do século passado, mas do atual também. Es um mestre nas inferências de costumes que resplandecem até os fins dos dias. Parabéns
ResponderExcluirImpressionante a qualidade lírica/clássica do texto.
ResponderExcluirParabéns poeta por tocar em temas tão intrínsecos para pessoas que se acham maior que as outras, não se dão conta em sua arrogância que o destino de todos é um só...
ResponderExcluir"Voltaremos ao pó"
Gostei do duplo soneto...