Novos artigos de segunda #83
![]() |
| Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial |
UM PASSEIO PELOS LABIRINTOS DO SER
José Neres
Gustavo parece ser um rapaz comum e sem grandes ambições. Porém, certa manhã, ao acordar, percebe, ao tentar atravessar a porta de seu quarto, que está diante de um labirinto. Desnorteado, tenta comunicar-se com alguns amigos e com Laura, a mulher dos seus sonhos. Porém as ligações telefônicas não se completam, e ele percebe que está isolado do mundo exterior. Ele, então, passa a dedicar-se a encontrar um caminho que o conduza para fora desse pesadelo em forma de labirinto.
É nesse ambiente nonsense que o jovem escritor Adonay Ramos Moreira ambienta sua novela intitulada O Labirinto (Secult, 2015, 99 páginas). Nessa narrativa, as noções de tempo e de espaço se mesclam com a própria condição de desespero do protagonista, que tende a duvidar até mesmo do que acontece nos seus entornos. Gustavo é um Gregor Samsa kafkiano que não se transformou em inseto, mas que possivelmente se sente desumanizado pela falta de perspectivas sociais e emocionais.
Externamente, Gustavo sente o vai e vem das pessoas, sabe que está chovendo, sabe que a vida continua seu fluxo normal com ou sem sua presença. Do ponto de vista interno, porém, ele se vê como prisioneiro de si mesmo, do aposento em que está preso e das constantes decisões que precisam ser tomadas.
A solidão, as dúvidas e o desespero humano são três dos motes mais recorrentes no decorrer do livro. Percebe-se que Gustavo é “um solitário por entre gentes” e que ele tem dificuldades em conviver com as próprias escolhas. Mesmo quando ele tenta traçar planos e caminhos, nota logo que as mudanças externas não dependem dele e que ele é uma peça na grande engrenagem do universo. Essas descobertas acabam por levá-lo a atitudes desesperadas e desesperadoras.
Em seu livro, Adonay Moreira não deseja apenas contar uma história. Ele vai além. Ele tenta fazer um mergulho na alma humana e estabelecer elos entre o visível e o invisível, entre o possível e o impossível e, principalmente, entre as (im)possibilidades de convívio que permeiam as relações sociais.
No final das contas, Gustavo tanto pode ser considerado um ninguém em busca de suas saídas e respostas existenciais, como pode representar cada um de nós que nem sempre temos controle sobre nossas escolhas e decisões.
O Labirinto é um livro de leitura rápida e foi escrito em uma linguagem simples, porém repleta de metáforas. Vale a pena o leitor passar alguns momentos perdido com Gustavo nos intrincados labirintos que criamos a partir de nossas ações e até mesmo de algumas inações.
![]() |
| Reprodução da capa do livro |


Nenhum comentário:
Postar um comentário