segunda-feira, 7 de setembro de 2026

NA ESCOLA

 Novos artigos de segunda #97

Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial 


NA ESCOLA
José Neres 
ISNI: 0000000530697862

A brevíssima história que narro a seguir foi-me contada há muito tempo por uma querida amiga que também é professora.

Claro que devo ter esquecido detalhes, mas de modo geral reconstituo com minhas palavras aquilo que ouvi em uma bela tarde.

Essa história voltou à minha memória por causa de algumas postagens que tenho visto sobre a docência, inclusive com falas equivocadas de algumas “autoridades”

Vamos ao fato…

***

Início de um novo ano letivo e, logo no primeiro dia da Semana Pedagógica, os professores tiveram uma surpresa: um aluno do ano anterior havia comparecido à escola e pedido para voltar a estudar. Ele havia prestado no vestibular (sim, foi no tempo do vestibular tradicional) e não havia sido aprovado.

Em conversa com a diretoria, ele explicou que a família era pobre e que não teria condições de pagar um curso pré-vestibular. Admitiu que não fora um bom aluno nos três anos que ali havia estudado e prometeu dedicar-me ao máximo.

A direção da escola não viu problemas e disse que ele poderia assistir às aulas, mas que não precisava fazer as provas. Porém, por uma questão de regimento, o uso do uniforme era obrigatório. Ele concordou sem objeção.

Frequentou a escola o ano inteiro sem faltar uma aula. Se inscreveu no vestibular e o resultado foi o mesmo. 
Como precisava ajudar a família financeiramente, arrumou um emprego de serviços gerais, trabalho duro e que não pagava muito bem, mas que era extremamente necessário. 

Pediu então para frequentar as aulas noturnas. A diretoria não viu problemas. 

Chegava extenuado à escola e nem sempre rendia o suficiente nas aulas. Cochilava em alguns momentos e começou a faltar vez ou outra. Depois mais e mais…

Certa vez, na hora do lanche, enquanto ele devorava meia dúzia de biscoitos com meia caneca de suco ralo, a amiga que me contou a história se aproximou dele e perguntou se ele havia desistido do vestibular, pois estava algumas semanas ausente.

O olho dele brilhou e respondeu com um sorriso cansado: “Não, professora, jamais vou desistir. Um dia vou fazer um curso superior. Vou entrar para a faculdade. Nem que seja para ser só professor mesmo”.

Minha amiga soltou um sorriso pálido, baixou a cabeça e voltou para sua sala de aula. Não tinha forças para argumentar. 

Foi a última vez que o viu. Nunca mais soube notícias dele.

***

Existem tantas nuances nesta história que também desisto de comentar. 

NA ESCOLA

 Novos artigos de segunda #97 Imagem elaborada com auxílio de Inteligência Artificial  NA ESCOLA José Neres  ISNI: 0000000530697862 A brevís...