Novos artigos de segunda #97
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ELAS E VOCÊ
José Neres
Imagine que você é bastante querido e respeitado e que tenha três namoradas, sendo que todas elas contribuíram para que você tenha se tornado essa figura ilustre e famosa que é hoje.
Uma dessas namoradas foi literalmente abandonada há mais de uma década, porém continua na lembrança das outras pessoas, que perguntam sempre: “Cadê Fulana?”, “Tem alguma chance de voltar um dia?”, “Nossa! Ela era tão linda!!!”, “Faz tanta falta!”...
Outra é aquela da qual parece que você tem até vergonha de admitir que ela passou por sua vida, contudo todos sabem da existência dela. Só aparece uma vez por ano, sendo tratada de modo simples e sem publicidade. Evita-se até mesmo colocar alguma menção a ela nas redes sociais. Foto, nem pensar. A coitadinha é maltratada. Tímida, ela atrai poucas pessoas e se conforma com a própria existência e com o esquecimento forçado.
Finalmente existe aquela que é festejada, amada, querida por quase todos. Quando ela chega, é só alegria. Você faz questão de dizer para todo mundo que banca todos os caprichos dela. Aparecem juntos em público, dançam, pulam e festejam qualquer coisa. Tudo é motivo para festa. Ela gasta bastante. Mas você justifica os gastos absurdos dizendo que traz lucro e popularidade.
Basicamente, você ignora a existência das outras duas para dedicar-se apenas àquela que é mais bonita, chamativa, cheirosa, barulhenta e perfumada…
Na verdade, você explora ou já explorou as três.
A primeira poderia ser sua menina dos olhos. Mas, segundo você mesmo, ela já está ultrapassada e é muito metida a intelectual. E, pior ainda, traz a lembrança de outros que passaram pela vida dela e que a tratavam até bem. Eles tinham orgulho de mostrá-la para todos. Apareciam nas colunas sociais, na TV e ela chegou a ser muito disputada e nacionalmente conhecida. Mas você mesmo admite que os tempos são outros. Tudo é mais dinâmico e os presentes que você ofertava à cidade hoje estão fora de moda. Resultado: você foi deixada de lado e os mais jovens nem mesmo têm conhecimento da existência de uma bela dama que foi abandonada durante um evento no qual nem mesmo a autoridade maior da época se dignou a aparecer. Qual o nome dela mesmo? Lembrei… acho que era Concurso Literário Cidade de São Luís.
A outra, nos seus primeiros anos, também foi festejada. Chegou até mesmo a parar a cidade. Ganhou brilho próprio, mas ficou dependente das migalhas que você dava para ela. Como é difícil manter a altivez com parcos recursos, sem divulgação adequada e sem receber o carinho necessário. Preste atenção: ela continua linda e formosa, mas carece de atenção. Será que você tem vergonha de aparecer perto dela? Nunca entendi as razões pelas quais você só aparece perto dela e só divulga a presença dela nos últimos minutos. Ela tem um nome tão bonito: Felis, mas é não desprezada! Não faça mais isso. Pare de ignorá-la. Faça-a sentir-se novamente feliz.
E a mais recente? A mais festeira? A que vive em shows e que consome o suficiente para manter com folga as outras duas? Você já pensou que apenas uma dessas jóias que traz para satisfazer o ego dessa menina vaidosa e dançante seria o suficiente para dar maior destaque e viabilidade à Felis e trazer de volta o Concurso, que faz tanta falta!
É… mas prioridade é prioridade. Segundo você mesmo deixa nas entrelinhas, quem atrai público e traz curtidas são os shows… as outras duas fazem parte do passado.
Ei, antes de ir embora, pense um pouco: não foi o passado que fez você tão famoso? Então para que ignorar duas e valorizar apenas uma? E justamente a mais cara de todas?
Ah, entendi. Dá um bom retorno. Mas não é justo ignorar uma e dar apenas esmolas para outra.
Um dia o passado pode voltar para cobrar essas dívidas e esses descasos.
Tchau! Aproveite a festa!
Qualquer semelhança é apenas mera coincidência!

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